Alcatraz 1x01/1x02: Pilot/Emerson Cobb

quinta-feira, janeiro 19, 2012


Se eu não fosse extremamente paciente com qualquer série que eu assista, nunca passaria do piloto de Alcatraz.

Pilotos dificilmente são bons, geralmente são ainda piores se a série a qual dão inicio se trata de um procedural, e Alcatraz não foge a essa regra. Há muita informação jogada no espectador e pouco tempo para as assimilar.

Enquanto eu ainda ponderava se o fato de Sylvane ter acordado sem aparentar a menor dificuldade em assimilar que agora se encontrava quase cinqüenta anos no futuro sem envelhecer um dia sequer era um enorme furo no roteiro ou uma pista de que ele sabia exatamente o que estava acontecendo — o que se revelaria como a opção correta, felizmente —, já me vejo apresentado a uma detetive que se culpa pela morte do parceiro e que é obcecada pelo trabalho a ponto de não abandonar, sem nenhum motivo aparente, uma investigação da qual ela já havia sido excluída.

Mas ainda piora já que, não bastando a muito conveniente, para o roteiro, obsessão pelo caso, Rebecca ainda tem ligações pessoais com a prisão de Alcatraz, o que torna tudo ainda mais difícil de aceitar. Todos esses problemas podem ser resumidos a típica falta de tempo de um piloto para se desenvolver decentemente uma trama.

Diego, por outro lado, possui razões bem compreensíveis para se interessar pelo mistério do desaparecimento dos prisioneiros de Alcatraz, afinal ele estuda a história do lugar. Hauser é mantido como um personagem misterioso, assim fica claro que seu interesse nos acontecimentos mostrados provavelmente será revelado em futuros episódios, assim como prováveis informações que ele possui e não revela a Rebecca.

O segundo episodio , livre de todos os problemas apresentados por um piloto e da falta de capacidade dos roteiristas em contorná-los, é bastante superior ao seu predecessor. Com um protagonista que é um meticuloso psicopata, muito mais interessante do que o apenas vingativo Sylvane, o episódio desenvolve muito bem o que provavelmente será a estrutura adotada pela série.

Os flashbacks funcionam como um meio eficiente de detalhar a personalidade de Cobb, assim como no primeiro funcionaram para Sylvane. Esses flashbacks ficariam um pouco melhor se a equipe criativa da série abandonasse a estúpida idéia de utilizar letreiros com as datas dos acontecimentos. A menos que se revelem extremamente relevantes para a série, o que não foi o caso até agora, eles soam apenas ofensivos, já que certamente o espectador é capaz de entender a diferença entre o presente e o passado da série pelas diferenças de ambientação, figurino e fotografia.

Cobb serviu como um bom meio para estabelecer que Rebecca é uma detetive inteligente, conseguindo perceber com facilidade, por exemplo, que a arma que o assassino utilizava era um exemplar antigo uma vez que ele viera do passado ou entender o que ele planejava apenas por estudar seus objetos da época em que ele estava preso. O único exagero reside na idéia de que apenas ela fosse capaz de encontra o padrão nas vítimas de Cobb.

Terminando com um bom cliffhanger, mostrando Lucy, a assistente de Hauser, como uma psicóloga que trabalhou em Alcatraz e obviamente também desapareceu no passado e ressurgiu no presente — será que Hauser sabe disso? —, o segundo episódio consegue redimir um pouco da má impressão deixada pelo piloto e mantém meu interesse pela série.

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3 comentários

  1. Achei tudo muito conveniente nas partes investigativas, sem nenhum estudo mais profundo conseguiram determinar de onde veio o tiro do Cobb, e a Rebecca, conseguiu achar um cartucho da bala em meio às folhas secas como se soubesse que ela tinha caído lá, não convenceu. Nem o Monk teria essa percepção.

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  2. Faço de suas palavras as minhas em: "Se eu não fosse extremamente paciente com qualquer série que eu assista, nunca passaria do piloto de Alcatraz."

    A série não prendeu, e as cenas de investigação são muito monótonas e sem graça.

    Pórem vale lembrar que Fringe não começou muito bem, mas então se tornou minha série preferida.

    Então vou continuar a assistir, e espero que eles encontrem uma boa explicação para o sumiço dos prisioneiros.

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  3. Eu só espero que a frase dita por Jorge Garcia em sua apresentação no piloto se refira à série também: "Sou mais inteligente do que pareço".

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