Person Of Interest 4x08: Point Of Origin

segunda-feira, novembro 24, 2014


Quantos episódios de Person Of Interest foram encerrados com um cliffhanger? Mesmo quando semana após semana víamos o desenvolvimento da mesma trama – o começo da terceira temporada, por exemplo –, não havia uma cena deixada em aberto no fim ou a volta de uma história dada como terminada, servindo como parte de uma outra. Tudo isso acontece em Point Of Origin, tornando o ritmo da série mais ágil.

Mesmo que dentro da sua estrutura habitual, com uma vítima que precisa ser protegida, as diferentes tramas aqui apresentadas se misturam de forma natural, e nenhuma delas parece uma distração esquecível. Os problemas causados pelo comportamento de Reese o colocam perto de Dani, que é o alvo de Dominic por que ela está no caminho dele para alcançar seu objetivo maior: derrotar Elias, o seu novo alvo, e certamente o próximo caso da semana. As tramas se amarram, nada parece inútil.

Do episódio passado vem a pista que leva Martine, a agente robótica de Greer, até a localização de Shaw. O ponto cego que esconde Finch e cia. do Samaritano se revela nesses momentos uma excelente ideia de roteiro, criando alguma dificuldade para os vilões que, caso contrário, seriam praticamente onipotentes. Ela permite que haja uma disputa entre os agentes dessas inteligências artificiais e não apenas entre as máquinas, que, por mais interessante que ambas sejam como conceito, dificilmente funcionariam como recurso dramático. Imaginem que emocionante (só que não): uma máquina tentando hackear a outra durante uma temporada inteira ou Finch e seu grupo fugindo por vinte e quatro episódios de um inimigo imbatível.

Infelizmente esse elemento humano nesse contexto é enxergado pelos roteiristas como uma chance reafirmar os temas da série. Isso se manifesta na cena didática onde Greer compara as capacidades de investigação humanas com as de uma máquina. Toda a conversa deixa a impressão que, no lugar de aprofundar e elaborar os prós e os contras de um mundo onde há uma inteligência superior a humana, a série prefere repetir exaustivamente a mesma mensagem antes de seguir adiante.

Outro ponto negativo de Point Of Origin é Dominic. O personagem é interpretado Winston Duke como alguém que parece sempre não se importar com o que esta a sua volta, frio e distante. Mais importante, ele jamais parece intimidador, alguém capaz de acumular o poder que tem, de controlar o crime numa cidade inteirar e fazer outras gangues obedecerem as suas ordens. Ele parece mais um vendedor de drogas numa esquina qualquer, nunca o líder.

Dominic e a filosofia superficial de Person Of Interest não desaparecerão depois de episódio, mas ao menos existem outros pontos mais interessantes nos quais se concentrar, que acabam compensando essas falhas.

PS.: As comparações entre humanos e máquinas não são único momento em que a inteligência do espectador é posta em dúvida pelos roteiristas. A cena onde Finch precisa escrever o nome de Dominic no vidro para perceber por que seu apelido é “Mini” exibe a mesma tendência a simplificação excessiva. Como se não bastasse acreditar que o espectador não seria capaz de ver o óbvio, temos que aceitar também que Finch, um homem que, sozinho, criou uma inteligência artificial sem paralelos no mundo real, precisa ver o nome escrito para compreendê-lo. 

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