American Horror Story: Freak Show 4x13 (Season Finale): Curtain Call

sábado, janeiro 24, 2015


O decreto final.

 Em 1932 um filme polêmico foi lançado. Freaks, por 30 anos proibidos no Reino Unido, trazia uma trama controversa, um tabu, principalmente para a época de seu lançamento. Uma época em que aberrações eram extremamente marginalizadas e usadas como objetos de entretenimento. Pode parecer que um filme que traz em seu elenco artistas reais de shows de horrores fosse apenas isso: a exploração desses artistas para entretenimento barato. Mas Freaks vai além disso. O filme todo é uma mensagem. Mensagem essa que American Horror Story: Freak Show também veio trazer. E ainda uma outra.

Freak Show não veio apenas retratar um período histórico. Também não foi entretenimento barato (talvez seja por isso que muitos estão insatisfeitos com a temporada, pois é disso que gostam).  A mensagem passada não abrange apenas o universo dos shows de horrores, mas é também uma metáfora, representando todos os grupos que ainda sofrem marginalização. Estamos em 2015 e, apesar dos avanços no que tange a igualdade para todas as minorias, estamos longe do ideal. Infelizmente, o preconceito ainda é um personagem poderoso na história da sociedade e, apesar de ser apenas um conceito, reflete-se na forma de problemas concretos, que vão da exclusão a grandes tragédias. Essa é a segunda mensagem a que me referi ali em cima. E se isso acontece ainda hoje, imaginem anos atrás, antes do mundo globalizado e menos intolerante em que vivemos. É por isso que, apesar de passar seu recado de respeito e tolerância, Freak Show terminou como terminou.

Nós gostamos de acreditar que tudo vai dar certo no fim. Mas nem sempre dá. Ryan Murphy deu um final feliz da forma que pode. Se fosse de outro jeito, teria soado falso. O “final feliz”, com todos os freaks terminando juntos numa espécie de paraíso, serviu para não perdermos a esperança. Foi uma espécie de redenção e libertação e isso explica porque até mesmo Elsa teve direito ao paraíso. Foi muito mais que uma despedida bonita para Jessica Lange. Foi uma forma de nos dar esperanças de que um dia viveremos no mundo ideal, que ainda há salvação para a humanidade. Quer um final mais bonito que isso?

No entanto, a atual realidade é mais dura que isso e a realidade daquela época é ainda mais. Grande parte dos artistas de freak show teve como destino a morte e o exílio em manicômios e afins (e é aqui que Asylum entra). Por isso não é surpreendente que todos acabassem mortos ou internados. Era pra ser previsível mesmo. Asylum já nos deu esse spoiler anos atrás. Eu entendo as pessoas que acharam o final fácil e conveniente demais, mas eu não acho que um massacre é uma coisa qualquer, um final chato. Para mim, um massacre é a maior tragédia que pode acometer a sociedade, maior que qualquer tipo de acidente ou catástrofe, mesmo que estes possam matar um número muito maior de pessoas. Porque temos aqui uma mente distorcida, um de nós, assassinando a sangue frio outros humanos, pelo puro egocentrismo guiado pela loucura. E assassinos psicopatas foram o que American Horror Story fez de melhor até hoje. Esse tipo de personagem se encaixa perfeitamente na trama de aberrações, porque nos faz questionar quem são os verdadeiros monstros. Essa é a primeira grande mensagem que Freak Show passou.

Já disse o que penso sobre o massacre. Falemos agora da motivação de Dandy, um rapaz mimado que não consegue aceitar quando as coisas não saem do seu jeito. Quando colocado como dono de um espetáculo então, Dandy é verdadeira “diva” louca. Quem consegue controlar uma diva psicopata? Mas ainda assim, Dandy é extremamente carente, por isso é tão facilmente enganado por Bette e Dot. E aqui American Horror Story traz mais um paralelo incrível com temporadas anteriores. Lembram como Lana Banana usa esse mesmo ponto fraco para enganar o Bloody Face e mais tarde seu filho? Pois bem. E apesar de matar a maior parte dos freaks, estes não deixaram de lutar. Foi lindo ver Jimmy, Bette, Dot e Desiree se vingando, fazendo da morte de Dandy um espetáculo, enquanto eles saem do palco e se tornam, finalmente, a plateia. E eles foram os poucos afortunados que conseguiram ter um final feliz, o que também reforça a esperança em nossos corações.

Eu não sei bem se posso dizer que o final de Elsa foi feliz. Essa é uma questão de perspectiva. Apesar de ter se tornado uma estrela, como sempre sonhou, ela vê que isso não traria a felicidade. Ela se tornou famosa, mas também infeliz com um casamento frustrado e sua fama à beira de acabar, com a descoberta de seu passado. Com essa possibilidade, e também para fazer justiça a seus freaks perdidos, Elsa decide que aquele era o momento ideal para sua partida. Ela morreria antes de ver o fim de seu estrelato, morreria como uma estrela e ainda honraria seus freaks se apresentando no Halloween que, dentro da mitologia da temporada, causaria sua morte, sendo levada por Edward Mordrake e Twisty até seu destino final. Elsa ser levada para junto de seus freaks foi uma forma de dar a Jessica Lange uma bela despedida, já que a atriz não voltará para a próxima temporada. Mas, além disso, representou a redenção de Elsa. Deveríamos entender isso, já que somos cercados de discursos sobre “perdão divino” e coisas do tipo. Como o naturalista que sou, não sei como isso tudo teoricamente funciona, para falar a verdade, mas fiquei satisfeito com a forma como a vida após a morte foi apresentada aqui. Faz parte da mitologia da série e, sendo assim, eu consegui aceitar.  

Meu decreto: Vi muita gente falando que Coven foi melhor que Freak Show. Mentira. Freak Show foi muito superior a Coven, em questão de roteiro, personagens, desenvolvimento e fechamento, não deixando nenhuma ponta solta, diferente de sua antecessora. E ainda teve a bela e relevante mensagem que eu falei. Muitos reclamam da temporada dizendo que faltou horror e eu entendo. Entendo perfeitamente quem assiste a uma série de horror esperando cagar nas calças. Para essas pessoas, eu venho dizer: Freak Show não teve as bizarrices e o terror das temporadas anteriores (exceto Coven); não teve o terror que muitos esperavam, com demônios, espíritos, etc. Freak Show veio mostrar um horror da vida real, intensamente vivido anos atrás e ainda visto hoje em dia. Um horror mais discreto, mas muito mais horrível que qualquer história de fantasma, justamente porque não é pura ficção. Freak Show está dentro da nossa sociedade. Nós vivemos em um verdadeiro Freak Show. Como alguém pode não achar isso horrível? Eu não tenho medo de demônios e fantasmas; ninguém deveria ter. Eu tenho medo é de viver no mundo em que vivemos. Então sinto muito se não gostaram de Freak Show. Deveriam caçar outra série de terror costumeiro.  

 P.S.: “Thank you Jessica...for everything. Always” MURPHY, Ryan.

Até a próxima temporada!!!

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7 comentários

  1. Pra mim, foi a mesma bosta. Repetir o mind games não é linkar com nada. Ele não tem mais o que inventar e fica soltando esses papinhos de link.
    Foi terrivelmente arrastada para um finalzinho meia boca fazer valer.
    Sorry. But achei UO! #igualabanda

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    1. Eu entendo o que quer dizer e não discordo. Inclusive reclamei de vários episódios nas reviews. Meu ponto é que, apesar disso, acho Freak Show muito melhor e mais fechada que Coven, que foi completamente dispersa, mas também tá muito longe de ser melhor que Asylum, por exemplo. E mesmo achando arrastada e com plots desnecessários, eu consigo ver um ponto positivo e foi sobre ele que eu quis dizer aqui.

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  2. Ficou ponta solta SIM, cara, a temporada inteira foi ótima, o clima de suspense, loucura e terror com aquele trilha de fundo embalou cada episódio. Para mim, o Stanley foi o real vilão dessa temporada a personificação da maldade, do preconceito, do capitalismo, a Elsa foi a perfeita representação do ser humano frustrado e os Freaks, somos todos nós, com ou sem deficiência estamos sempre procurando um lugar, um grupo a qual pertecemos. Freak Show não merecia esse final, não mesmo. Gosto da atriz Jessica Lange, mas acho que ela assim como muitos fãs percebeu o quanto Ryan e Brad estão deixando as coisas desandarem, vide Glee. Agora, o que nos resta é esperar pela quinta temporada, pelo que já li vai ser contemporânea, estou na torcida que American Criminal Story e Scream Queens não seja só um sucesso passageiro, espero que tenha qualidade e permaneça nas nossas memórias com a lembrança de uma série que foi impecável do começo ao fim, assim como AHS deveria ser.

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  3. "As pontas soltas":

    As mortes do Dandy foram deixadas de lado - Psicopata, louco, doido varrido, seja lá quais outras péssimas coisas eu possa dizer dele,mais ele não era Deus. Porque deixaram as mortes dele de lado? Júpiter não era uma cidade sem lei, pelo contrário era uma cidade conservadora pra não dizer preconceituosa, embora ele tivesse grana o suficiente para compra-lá, ele não era Deus, isso pra mim foi inaceitável.

    O romance da Maggie (Esmeralda) com o Jimmy foi deixado de lado - Fomos deixados no banho maria, a temporada inteira, vendo o romance dos dois, alguns odiando a Esmeralda, outros aprendendo a gostar, como eu. Pra terminar assim, dessa forma tão vaga e sem nexo (ela sendo serrada).

    Sem fundamento essa paixão repentina do Jimmy pela Dot - Me pareceu que eles não tiveram uma ideia melhor para o fim do Jimmy, que juntaram ele com a Dot/Betty, uma união rasa e pouco convincente.

    Como ficou a questão da festa/massacre do tupperware com as mortes que o Jimmy estava sendo acusado? - Tanto suspense no mini-massacre do Dandy pelo qual o Jimmy estava sendo acusado para no fim não dar em nada.

    Como a policia se portou quando encontrou o massacre no circo e o Dandy morto? - Queria muito ter visto, deveria ter pelo menos flashes, sobre o que aconteceu com o circo, com os freaks...

    Pra onde foi parar o Stanley? Como vimos os Freaks não o mataram e sim o transformaram num Freak (04x12) depois que o Dandy o encontrou preso naquela cabine ele não apareceu mais.

    A Dessi foi a única que teve um final apropriado - A única coisa justa do episódio, a única que eu fiquei muito preocupado que fosse assassinada durante o massacre, na verdade, por mim ninguém morria.Mais e a Eve Amazonas? Merecia mais, muito mais.

    P.s Queia muito ter visto os bebês freaks da Betty e da Dot.
    P.s (2) E a tal curiosidade que o Stanley tinha entre as pernas? Será que os freaks cortaram? kk
    P.s (3) De todos os freaks, o Meep foi o que mais me assustou, :#
    P.s (4) Descobrimos que Dr. Arden era cameraman de vídeos bizarros, além de ser nazista e médico. kk

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    1. A morte de Maggie não é ponta solta, ela morreu, acabou, fechou.

      O Jimmy fugiu da prisão com a ajuda do Dell e Eve. A polícia não o achou depois.

      Você acha mesmo que a polícia ia se preocupar com um monte de freaks mortos? Todo mundo odiava eles.

      E como eu disse, impossível todo mundo ter final feliz. Se ser diferente hoje ainda é motivo de olhares tortos e exclusão, imagina 60 anos atrás. O final foi fiel à realidade da época.

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  4. Se o sr. Murphy é tão gênio como vários fãs de AHS acham, ele provavelmente se programou colocando Coven logo depois de Asylium, pois sabia que não iria conseguir fazer algo tão bom em tão pouco tempo, e ainda ajudaria as outras temporadas, que ao invés de serem comparadas com algo bom seriam analisadas "a partir de Coven".
    Eu não sou tão fã assim e considero Coven um erro do cara e Freak Show uma "Boardwalk Empire" da vida: muito bacana de se assistir, surpreendente nos seus quesitos técnicos mas e daí? O cara quer chocar o pessoal de 2014 com "deficiencias fisicas"? Sim, todo mundo fica surpreso no primeiro encontro, mas não ficamos tão chocados simplesmente assim, pelo menos eu não fico.
    Achei Freak Show bacana, mas faltou muito mesmo para ser uma PUTA temporada... e o final, foi deprimente ( tirando claro a sequencia do massacre dos remanescentes), com o criador querendo dar um finalzinho bonito pra todo mundo, ( especialmente o da Elsa, um desperdicio de tempo vendo todo o sucesso de Hollywood e como ela conseguiu ainda ser uma pessoa pior, e ainda ter o seu "Paraiso" no final das contas)...

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