Glee 6x07: Transtitioning

quarta-feira, fevereiro 18, 2015


Transição para o fim.

Coisa boa se surpreender com uma série que, após seis anos e muitos altos e baixos, é capaz de entregar um episódio tão sensível e redondinho em sua reta final. É raro encontrar sentido em todos os núcleos e personagens, aproveitar a proposta do roteiro sem a sensação de tempo perdido em nenhum momento, enxergar o tema que permeia a trama sem forçar a barra, mas foi exatamente isso que "Transitioning" propiciou.

Após basicamente duas temporadas no limbo, Will Schuester voltou a ter destaque e função. Os robôs do Vocal Adrenaline chegaram ao ápice da canalhice, "fingindo" preconceito para obrigar o New Directions a perder tempo com lições sobre tolerância (como se em algum momento o ND efetivamente treinasse para a competição!) e profª Schue se viu entre a cruz e a espada (#giriasidosas) para abrir mão dos carros e das massagens que o generoso pagamento da Carmel High proporcionava. O retorno de Emma não podia vir em melhor hora, com o lindo discurso sobre essa ser a hora em que Will mais precisa ser fiel a seus princípios, já que é nisso que vai influenciar o filho daqui pra frente. Como os estudantes do VA, dispenso o rap no ensinamento da lição, mas gostei de todo o resto da trama, inclusive a parceria com Unique, que como ex-aluna que saiu do grupo justamente pela falta de aceitação, tinha tudo a ver naquele momento de tentar colocar alguma coisa na cabeça desse povo obcecado por vencer.

Unique também foi chave para a conclusão do plot de Beiste, oferecendo seu aconselhamento como transsexual mais experiente (!) que é, e foi um desfecho absolutamente lindo. O coral gigante, reunido para mostrar a Sheldon (bazinga!) que ele não estava sozinho foi de encher os olhos e depilar o coração dos mais resistentes a essa temática, e ainda mostrou que o teatro do McKinley tem um dos maiores palcos já visto na história dos grandes auditórios. Só fico triste que Unicão não tenha interagido mais com o pessoal do colégio, porque acho que ela teria feito toda a diferença na festinha de despedida da casa de Rachel.

Essa parte do núcleo jovem, aliás, foi a parte "diversão descompromissada" do episódio e em muito lembrou outra clássica festa no porão da srta. Berry, com direito a beijo dela com Blaine e muitas desventuras alcoólicas. O negócio foi mais light dessa vez: teve os novatos numa vibe "nunca me diverti tanto", Mercedes e Roderick mostrando o gingado dos gordinhos com "All About That Bass" e, claro, Rachel e Sam mais uma vez sambando na cara das inimigas, agora com direito a uma despedida com estilo na cama de infância da moça.

Muita gente apontou a ausência de Finn no mural de fotos de Rachel, que supostamente tinha as melhores lembranças de seu tempo no colégio, mas particularmente não acho que seja tão grave. O luto por ele pode ter sido suficiente pra separar as fotos em que ele se destacava mais num local mais reservado que pudesse remexer quando estivesse pronta e faz todo o sentido que ele tenha um canto separado e que ela não se sinta confortável de dar de cara com imagens deles todos os dias. Além disso, seria pra lá de estranho vê-lo no mural enquanto ela e Sam conversavam sobre desapego e se preparavam para a pegação. Com isso em mente, foi muito bonitinho ver o pessoal do antigo Glee Club ajudando a empacotar tudo e as imagens em movimento, a la Harry Potter, de momentos que Rachel teve com cada um, ao som da deliciosa versão de "Time After Time".


Bacana também ver a continuidade da devoção de Kitty por Rachel, mesmo que em pouco tempo do episódio, com a prontidão com que ela respondeu ao pedido de Sam e praticamente forçou os novatos a contribuírem com uma lição dedicada à mestra. Como um parágrafo de Véia é sempre bem-vindo, vale apontar também a épica disputa de um tutu com Spencer e mais um flerte de relance que ela teve com Artie. Agora, só podemos torcer por um brilhante reencontro de Véia e Unique nas próximas semanas.


Blaine e Kurt completam o time que fez "transições" durante o episódio e, aparentemente, o papinho de amizade não funciona mais para o primeiro. Estranhíssima a parte em que Karofsky libera, com a maior facilidade do mundo, o namorado para ir atrás do ex, mas vamos fingir que foi bonitinho e deixar por isso mesmo. A cena em que Blaine chega correndo no colégio, só pra encontrar Kurt com o assassino de Lilly Kane, é clichê até dizer chega, mas não me incomodou e foi até bem-vinda. O que é muito estranho é que nenhum dos outros pares românticos representa qualquer ameaça real ao fato incontestável de que os dois terminarão juntos, e se não levávamos Karofsky a sério como impedimento à reunião Klaine, é óbvio que também não levaremos Aaron Echolls – fãs de Veronica Mars entenderão, e os queainda pretendiam assistir e levaram spoiler na cara me odiarão.

PS: Sam adoça o café exatamente como Finn, com parcimônia.



Músicas:

You Give Love a Bad Name (Você Dá Ao Amor Um Nome de Merda): Bon Jovi - Clint & Vocal Adrenaline


Same Love (Aquela Que Não Dá Pra Levar a Sério Porque Tem Will Rappeando): Macklemore & Ryan Lewis feat. Mary Lambert - Will Shuester & Unique Adams

All About That Bass (Tudo Sobre Esse Baço): Meghan Trainor - Mercedes Jones, Roderick, Alumni & New Directions

Somebody Loves You (Dueto Obrigatório Dos Queridinhos de Sue):  Betty Who - Blaine Anderson & Kurt Hummel

Time After Time (Tempo, Tempo, Mano Velho, Falta Um Tanto Ainda Eu Sei): Cyndi Lauper - Rachel Berry & Sam Evans


I Know Where I've Been: Elenco de Hairspray - Unique Adams & Transpersons Choir

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