Mad Men 7x12: Lost Horizon

domingo, maio 10, 2015


A cena mais significativa de Lost Horizon ocorre quando Don admira pensativo através da janela de uma sala de reunião um avião ao longe. A ânsia por liberdade do tédio de uma sala cheia de pessoas que se comportam da mesma forma mecânica representada por essa imagem logo se torna realidade quando Don percebe que ele não faz a menor diferença naquele lugar, ele sequer deseja estar ali.

Dai em diante sua história nesse episódio se resume a ele lidando com a sua irrelevância, e, mais importante, aceitando isso. No trabalho seus novos chefes tentam fazê-lo acreditar ser especial, mas logo ele percebe que aquele é um discurso pronto que Ted também ouviu. Sally não precisa dele para voltar para escola. Ele sequer consegue encontrar Diana, muito menos ajudá-la.

Seus colegas reagem ao novo local de trabalho de maneiras diversas. Ted esta feliz em meio aquela burocracia, sendo apenas mais um diretor de criação sem nome em uma equipe gigante. Pete sempre foi ambicioso e abraça competição por importância e cargos melhores que uma empresa daquele tamanho traz. Harry não consegue conter a alegria de ser “um pau mandado” - palavras usadas por Bert na terceira temporada para explicar o que ele seria caso ele decidisse ir trabalhar na McCann - , mas ele nunca foi mostrado sob uma luz positiva durante toda a série. A alegria quase infantil dele é um reflexo da sua mediocridade, já que ele acredita ser muito importante quando na verdade ninguém sequer lembra dele.

O design do escritório da McCann ilustra os sentimentos daqueles que ressentem ter de trabalhar ali. Seus corredores cinzentos parecem claustrofóbicos, os antigos funcionários da SC&P são espelhados dentro da máquina. Don uma vez descreveu a agência como um lugar onde a criatividade havia morrido, que eles apenas “compravam coisas”. Tudo que foi mostrado sobre o funcionamento da agência confirma essa visão.

Há nessa caracterização um certo romantismo ao criar um contraste entre a McCann & Erickson e a SC&P. Uma tem um ambiente antiquado, sombrio, a outra tem uma arquitetura moderna, clara, com paredes de vidro e uma decoração mais ligada aquela década. Uma não tem um funcionário negro e trata qualquer mulher como uma secretária, a gigante muda lentamente, enquanto a empresa menor conseguia se adequar ao tempo em que ela existe mais depressa.

Nessa mudança brusca aqueles personagens que mais resistem a ela foram os que tiveram os melhores momentos. Joan tinha uma posição importante na SC&P, e o respeito dos colegas, mas não por que eles tinham uma atitude muito progressista em relação a igualdade de gêneros, e sim por que todos ali tinham uma relação pessoal com ela, sabiam do que ela é capaz. Se outra mulher surgisse em um cargo importante do dia para noite na Sterling Cooper, ela não teria o respeito imediato dos sócios.

Os mesmos problemas que Joan teve de superar para chegar a ser sócia, ela teria de enfrentar novamente para ter algum respeito em seu novo trabalho. Obrigada a encarar mais uma luta, ela se vê sem forças e dessa vez há algo a perder. O dilema dela em Lost Horizon exemplifica o discurso de Peggy ao fim do episódio anterior. Se Joan não tivesse um filho, ela poderia se arriscar. Se fosse um homem, pai, e precisasse se envolver em uma disputa que pode a deixar sem dinheiro, as pessoas a sua volta seriam tão insistentes ao aconselhá-la a desistir?

Peggy é o extremo oposto na maneira de lidar com a mesma situação. Se o tratamento desrespeitoso começa antes mesmo dela chegar no escritório, ela se recusa sequer a ir ao trabalho. Mesmo quando o engano já foi resolvido, ela ainda aproveita os últimos momentos de liberdade na abandonada SC&P, recebendo um conselho importante de Roger através de um quadro. 

Roger, que incorpora as diferenças que o publico também vê entre Peggy e Joan, e da conselhos diferentes a cada uma sobre como lidar com o mesmo problema. Para a mais nova, a que aos seus olhos têm menos a perder e mais tempo e energia para enfrentar os homens, a mensagem é clara: não tente agradar. Para a outra, que conseguiu alcançar muito diante de dificuldades maiores, mas nunca com uma postura desafiadora, o conselho é desistir.

No fim, o tempo dos personagens mais velhos da série, como Don, Joan e Roger já passou. Seu protagonismo naquele cenário virou uma lembrança, e quem tem mais chance de sobreviver naquela  realidade é uma nova geração, como Pete e Peggy.

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