The Newsroom 1x07: 5/1

quinta-feira, agosto 09, 2012



Numa noite de uma grande bomba jornalística, Newsroom prefere focar o episódio naquelas velhas situações de vergonha alheia causadas pelo amor.

No episódio em que a maior notícia da temporada foi ao ar, foram as relações entre os personagens e o humor que ganharam destaque, deixando um gosto agridoce na boca. Por um lado, o episódio foi bom, divertido e envolvente, sabendo ser descontraído mesmo ao tratar de um assunto tão sério. O problema, pelo menos para mim, foi que a equipe do News Night 2.0 não se comportou como jornalistas em um dos momentos mais importantes. Will e sua gangue focaram o episódio inteiro na confirmação ou não do assassinato de Bin Laden, mas fiquei com a impressão de que eles ficaram só aguardando a confirmação e se distraíram com os seus probleminhas amorosos de sempre ao invés de trabalharem na busca pela verdade dos fatos.

Ninguém estava se perguntando ou pesquisando como, quando e onde o fato teria ocorrido e nem se preocupando em encontrar todas as verdades da notícia ou ao menos se empenhando para conseguir a aprovação da Casa Branca para publicar a notícia. Newsroom conseguiu falar de política e outros assuntos relevantes em seus primeiros episódios, mas, justamente quando esta seria a esfera mais importante, a série se esquivou e preferiu apelar para as piadas mais velhas do mundo, um personagem fumando um baseadinho, o indiano avulso falando sobre ETs e pessoas fazendo brigando com a aeromoça enquanto estão presas dentro de um avião. De forma geral, gostei do episódio, que conseguiu ser leve, divertido e emocionante em seu final, porém acredito que uma notícia dessas poderia render bem mais.

Achei divertido ver o Will sendo forçado a dar uma festa em comemoração a um ano e uma semana das mudanças no News Night, com direito a ele e Jim tocando violão, jogos de adivinhação e a menina que consegue mandar bem numa partida de Guitar Heroe mesmo com os olhos vendados. Em algumas profissões, é justamente neste momento em que uma bomba explode e faz todo mundo ter que se recompor para trabalhar num dos momentos mais importantes. É óbvio que ficou estranho perceber que, num canal dedicado a notícias, pelo menos parte da equipe (do News Night ou de outros programas) deveria estar trabalhando, mesmo num domingo. Neste sentido, a série peca ao não deixar claro para o público quais são as regras na redação, quem participa do que, se Mackenzie manda em todo mundo e quem tem autonomia. Nunca conseguimos entender o papel do Don no News Night e a relação dos trabalhadores deste programa com as outras atrações do canal.

No triângulo amoroso (ou seria um quadrado?), cada vez fica mais óbvio que Magie está completamente perdida num relacionamento enquanto está afim de outro cara, tanto que ela nunca sequer disfarçou o quanto se incomoda com o fato de Jim estar pegando sua amiga sexy (olha alguém querendo desbancar a Sandra Oh no Prêmio Seriedade Anônima). Na minha opinião, o triângulo continua infantilizado demais, porém ficou mais natural, provavelmente pela atuação de Alison Pill, que aos poucos vem se encontrando no papel. Já toda aquela balela do Don ficar falando toda hora na namorada, me pareceu uma tentativa forçada de fazer humor. Mesmo assim, no final, as coisas até que se encaixaram com o cara se esquecendo de citar o nome de Magie bem no momento mais relevante, deixando claro que o relacionamento dos dois está morrendo e que ambas as partes já nem se importam tanto com isso.

Um dos grandes momentos do episódio ficou por conta de Charlie vetando a notícia antes da hora certa e isto ocorreu graças a uma atuação precisa de Sam Waterston, que conseguiu cumprir o papel do personagem sem passar da medida. Mas é claro que o ponto alto de tudo foi mesmo o momento em que Will pôde entrar no ar e dar a tão esperada notícia, seguida pelo discurso de Osama, quer dizer, Obama. Mesmo com o plot meio babaca, Jeff Daniels continua muito bem na série, conseguindo mostrar todo o seu talento tanto nos momentos dramáticos quantos nos momentos de humor.

Gostaria de ver o mais o sofrimento Kaylee (a namorada de Neal) por perceber que o assassinato de Bin Laden não a fazia se sentir melhor em relação à perda do pai, que estava em uma das torres do World Trade Center no dia dos atentados, se contrapondo a felicidade americana pela morte do inimigo.

Sorkin colocou apenas como detalhe algo que poderia ter ganhando bem mais destaque no episódio e gerando a discussão em torno do quanto esta vitória deveria ser comemorada ou não. Talvez para agradar o público americano ou quem sabe por uma miopia própria, a série também ignorou as preocupações em torno de uma possível retaliação por parte da Al-Qaeda ou em relação a novos “Osamas” que surgem todos os dias, focando apenas na celebração e na felicidade de se dar uma notícia tão importante.

Talvez o problema não seja da série e sim em mim, que não sou norte americano e enxergava Bin Laden como criatura que acabou se rebelando e fugindo ao controle de seus mestres (norte americanos). É neste ponto que fica claro para mim que Newsroom é uma boa série, mas muitas vezes se limita a ser uma Grey’s Anatomy do jornalismo, sem a preocupação de cutucar ou provocar reflexões em seu público. Não que isto seja algo ruim, mas acaba caindo em contradição com a filosofia do News Night 2.0. O importante é notar que em mais uma semana Newsroom vem se provando como um ótimo entretenimento, capaz de me fazer ficar vidrado e empolgado, mesmo apelando para um humor barato e meio desajustado em alguns momentos.

P.S.: Vamos combinar que humor com nego fumando maconha, hoje em dia, é igual piada do Chaves abaixando e fazendo o Seu Madruga jogar um balde de água bem na cara da Dona Florinda. 

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3 comentários

  1. Isso que você falou de eles não explicitarem quem faz o que na redação é o que anda mais me incomodando na série! (até mais que o humor forçado e deslocado).. Principalmente o Don, acho o personagem muito interessante, mas ele dando pitacos toda hora no jornal do Will me incomoda e me deixa na dúvida toda hora (ele não tinha saído da equipe Will no Piloto? Será que perdi alguma coisa?)
    Também gostei bastante no enfoque (mesmo que pequeno) da namorada do Neal e sua história..
    O episódio apesar de transbordar emoções não me atingiu.. afinal acho que os não-americanos nunca vão entender verdadeiramente o significado da captura do Bin Laden.. Ver série americanas tem esses problemas, as vezes uma cena de comédia ou drama pra eles tem um impacto que nunca terá pra quem não vive aquele contexto..

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  2. Eram cogumelos e não maconha.

    A série tem omentos de tensão que poderiam ser incríveis, mas acabam pecando pela tentativa de fazer humor mesmo. Algo estranho acontece, parece que eles tem medo de criar um bom suspense e deixar o telespectadores tensos demais, só pode. Torcendo pra que o clima do 1º episódio volte.

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  3. Amei, acho que se a serie se aprofundar mais, vira documentário!

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