Parade’s End : Season 1

quarta-feira, outubro 03, 2012


É chegado o fim do cavalheirismo... oh, que morte lenta e dolorosa!!

Simplesmente amei! Muito mais do que um romance barato como os cartazes tentam nos vender, estamos diante de um conceito que se tornou obsoleto e viu seu ultimo defensor cair. O “Parade” aqui referido era um código de conduta que regia as relações sociais entre famílias de prestígio, mas agonizava no final do Império Edwardiano na figura de Christopher Tietjens. Entre reflexões, ações e reações, um sentimento de profunda tristeza prevalece durante a trajetória de Tietjens.

Mas não se engane, a série é muito mais do que uma lágrima escorrendo pelo canto do olho a cada dois segundos. Num momento estamos rindo, no seguinte queremos matar um! O importante é perceber que não ficamos indiferentes, nem condenados a uma melancolia profunda.

Esta minissérie da BBC, em co-produção com a HBO, foi adaptada da obra de Ford Mardox Ford em cinco episódios com quase 1h de duração, cada, e traz em seu elenco Benedict Cumberbatch, Rebecca Hall e Adelaide Clemens nos papeis principais. O roteiro é de Tom Stoppard e narra a vida de Christopher Tietjens, um aristocrata inglês passivo e conservador que se vê dividido entre o casamento com Sylvia e a afinidade com Valentine (já falei que a sinopse era pobre?).

Confesso que me empolguei no instante em que soube que Cumberbatch estaria no papel principal. A premissa parecia boba (com séria tendência a chata), o problema é que o foco da chamada está no romance, que é uma espécie de fio condutor, mas deixa de fora quase tudo que a torna interessante e gostosa de acompanhar. De cara fiquei apaixonada pela fotografia (que surpresa?), cenários e figurinos lindos, todo aquele clima de época na Europa pré-guerra e movimentos sociais pipocando.

Como não amar Rebecca Hall e sua Sylvia extra bitch logo nas primeiras cenas? A mulher é extremamente passional, gosta de provocar e ser o centro das atenções, um furacão que destroça tudo que encontra pelo caminho!! E assim damos a largada com aquela sensação de que o Chris está entrando na maior roubada!

Chris é um perfeito inglês com fortes convicções anglicanas. No começo, tudo que podemos pensar dele é que se trata de um grande idiota, o que não poderia ser mais equivocado. Aos poucos descobrimos que aquele homem é sim, doce, amável e compreensivo, mas também é um verdadeiro gênio em suas análises e projeções. Extremamente culto, ele pode conversar sobre qualquer assunto e suas opiniões contam com fundamentos sólidos difíceis de refutar. Ele está atento às necessidades dos animais, dos empregados, das mulheres, de seu povo, indo a extremos para defender seu ponto de vista e isso vai lhe custando preços cada vez maiores.

O casal não poderia ter personalidades mais opostas. Sedenta por cenas de ciúme e arroubos de paixão, Sylvia brinca com os homens e se ressente quando o marido ignora suas travessuras. Ela não demora a perceber a sorte que tem, mas isso não a impede de viver insatisfeita e entediada. Por outro lado, Chris tem uma conduta irrepreensível, se permitindo sofrer todas as injustiças para manter o casamento e, mais até, seus princípios. Sua passividade e gentileza são facilmente confundidos com permissividade, invertendo o ônus da culpa, caminho torpe que a humanidade segue apoiando. No entanto, uma vez que a humanidade é assim mesmo, ele erra feio em não perceber o mal que vem causando a sim mesmo e aos outros, afinal, não precisava dar uns tapas na vadia esposa (quem duvida que ela iria gostar?), mas valia à pena sair um pouco da pose e usar sua inteligência para definir um novo conceito em castigo!!

Logo fica evidente que Sylvia não está à altura do marido intelectualmente e não poderia usar armas mais equivocadas para despertar seu interesse. Meu coração atrasou uma batida naquela cena em que ele diz “pode guardar uma (dança) para mim quando houver música?” Foi o primeiro momento em que ficou escancarado que ele sabia de suas infidelidades e demonstrou o tratamento que guardava pra ela.

Para provocar o marido, a quenga esposa resolve fugir com o amante nos proporcionando uma cena hilária!!! O sensor bitch foi ao máximo quando ela começou a fazer pouco do amante e concluiu dizendo que iria escrever para o marido a aceitar de volta! O mais engraçado é que ninguém acredita que ela ame o marido, mesmo ela demora a reconhecer, mas suas atitudes estão sempre gritando por ele e talvez a indiferença tenha sido o motor que conseguiu quebrar a petulância de Sylvia.

Defensor da monogamia e da castidade, Chris está disposto a aceitar sua esposa de volta quando conhece Valentine. A garota é linda, inteligente e luta em defesa dos direitos das mulheres, mas ele permanece fiel aos seus princípios, mesmo no meio da névoa...

Nesse ponto a coisa começa a azedar e sair da esfera íntima. Morri de raiva daquele povo invejoso! As fofocas maldosas começam a surgir e jogar na lama toda honra e reputação que ele pudesse querer defender. Os ex-amantes da esposa fazem tudo que podem para prejudicar sua carreira, enquanto seu “amigo” posa de gênio usando suas idéias, seu dinheiro e a mulher do padre. Incapazes de encontrar brechas na conduta de Chris, as pessoas aumentam e inventam muito mais pela incapacidade de encarar suas próprias imperfeições do que pelo bem dele, afinal, os erros nos nivelam por baixo enquanto a boa conduta requer o reconhecimento da necessidade de mudança e um esforço para buscá-la. Que tristeza ver o pai virando o rosto para ele e depois morrer acreditando que ele se tornou uma pessoa desprezível.

A guerra prevista por Chris desde o início finalmente explode e seu senso de dever o leva ao campo de batalha. Quando ele foi ferido eu gelei!!!! Amnésia? Para meu alívio ele vai recuperando suas faculdades mentais aos poucos.

Finalmente o povo começa a confrontar Chris!!!!!!!!!! Achei ótimo quando seu irmão chega junto e percebe o tamanho das injustiças que ele tem sofrido, indo além e usando sua posição e finanças para defende-lo. Some-se a e este encontro esclarecedor, as perguntas de Sylvia e finalmente Valentine, então Chris percebe que seu nome está na lama injustamente e já não tem mais o que defender, rendendo-se aos sentimentos que alimenta há cinco anos por Valentine (ou quase).

De volta à guerra, a passagem desta vez não poderia ser mais divertida diante de tamanho caos. Suas habilidades deveriam tê-lo conduzido para servir na área da inteligência, mas Drake (o suposto pai de Michael) carimba uma desqualificação descabida em seu arquivo. Enquanto seu irmão usa de influência para mantê-lo longe das linhas de frente sem que ele saiba, Chris trabalha com afinco para preparar seu batalhão aguardando a convocação para seguir em marcha.

Conhecedor da verdadeira mancha negra sobre a reputação do irmão, Mark fecha o cerco contra Sylvia, mantendo-a longe da propriedade da família e fazendo com que ela empreenda uma cruzada nada usual para chegar até onde o marido está. Com a desculpa perfeita para se mover sem perder a pose, Sylvia atormenta todos os homens influentes que conhece na esperança de ser enviada à base do marido, mas o verdadeiro golpe de sorte é encontrar Perry na estação. Ela segue divando entre os militares e finalmente abre o coração para o marido nos proporcionando uma reconciliação mais consistente e deixando ainda mais difícil a decisão anterior de voltar para Valentine, só que não.

A guerra é terrível, mas consegue fazer reparos na vida de Chris, acaba sendo um elemento redentor. No campo de batalha, onde as vidas dependem de suas ações, ele finalmente consegue demonstrar seu valor e obter a confiança e afeição de todos que o cercam. Por outro lado, o tempo que passa sozinho faz com que esteja sempre recordando e redescobrindo os sentimentos por Valentine.

PARA TUDO! Sylvia cortou o carvalho!! Fiquei tão chocada com aquela enorme tora no meio da propriedade!! Aquilo só poderia significar o fim de qualquer chance para Sylvia, e mais sublime foi perceber o significado simbólico de libertação para Tietjens, enfim aceitando o fim das tradições da família e abrindo os braços para amigos “inapropriados” e verdadeiros, o amor puro de Valentine e uma chance real de ser feliz. LINDO!!

Ps: Total fail aquele guri dormindo em segundos no colo de BC, não?

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2 comentários

  1. Pretendo ver, de qualquer forma tem Benedict Cumberskjdskalska então vale a pena, mas pelo que tu falou é muito lindo ver as vakices da Bitch esposa dele...

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  2. Bom, eu confesso que só entendi a mini série depois da segunda vez que assiti e isto aconteceu porque eu me deixei influenciar pela sinopse. E de fato, se levarmos em consideração somente o romance a tendência é de achar que é uma série mamão -com -açúcar. Mas na realidade ela é bem mais do que isso. Concordo com esta crítica.

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