The Mentalist 5x05: Red Dawn

quarta-feira, outubro 31, 2012


Nada mau para um centésimo episódio.
Muita gente provavelmente se perguntava, de forma inconsciente até, como Jane havia se tornado consultor do CBI e como a relação singular com Teresa havia começado. Que ocasião melhor do que o capítulo 100 para descobrir?
Uma das coisas que de cara me chamou a atenção foi a forma com que os produtores criaram a ideia de algo que ocorria no passado. Marcas de tempo como o visual de Rigsby – que estava com ar de bad boy com aquele cavanhaque sexy – o corte de cabelo diferente de Lisbon, a ausência de Van Pelt, enquanto outro agente mais velho (Stephen Hannigan, interpretado por Gary Basaraba) ocupava o posto no time de Teresa, a falta de mudanças evidentes em Cho, que é um personagem bastante linear, e especialmente a foto de Arnold Schwarzenegger colada em um quadro no escritório, deixando que claro que na época em que se passava o episódio, o astro era governador da Califórnia. Foram detalhes que demonstraram a sagacidade da produção em usar da semiótica para construir essa atmosfera de passado.
Além disso, Patrick iniciou demonstrando que era um tanto diferente quando pisou no escritório pela primeira vez. Com aparência péssima e ar desorientado, o mentalista estava desde o começo concentrado em seu objetivo de vida desde a morte da mulher e filha: encontrar Red John. Cômico que mesmo com emocional profundamente abalado, o loiro tenha usado dos seus conhecidos truques para conseguir o que queria: ser bajulado pela turma do CBI e conseguir acesso aos arquivos do caso. Nesse sentido, devo dizer que achei tudo fácil, extremamente fácil, pra você e eu e todo mundo canta junto. Quer dizer que qualquer um, ou pior, vítimas conseguem acesso aos arquivos da polícia? E as implicações disso?
Mas, parece que para Virgil Minelli – e aliás, sempre um deleite rever o antigo boss  em cena – a imagem da corporação tinha de ser mantida a qualquer custo e assim, não poderiam arriscar que o famoso médium levasse a público que havia sofrido agressão de um detetive dentro do escritório investigativo californiano. Nas palavras de Minelli: “precisamos achar uma maneira de fazê-lo feliz”. Que melhor maneira do que dando acesso aos arquivos do caso RJ? Muito, muito providencial.
A história foi bastante fantasiosa, mas daquelas que a gente engole, pois, cem episódios depois, gosta bastante da série para desistir por meros detalhes. Por isso, ignorei o fato de que era absurdo a Teresa levar o Patrick para a cena do crime com ela e deixei que pairasse a pergunta e o suspense: como Jane se tornou de fato consultor?
O crime da vez não foi nada especial, mas teve entre os suspeitos rostos que, para os viciados em séries policiais, foi um presente e tanto. Sim, estou falando de Kirk Acevedo, o Charlie de Fringe, que fez uma participação como Christian dos Santos, parente do jovem Alex, que havia sido morto em atropelamento cometido pela vítima anteriormente e por isso, se tornou suspeito em potencial. E também do culpado, o detetive Nathaniel Kim, interpretado por Ian Dale, o Adam Noshimuri de Hawaii Five-0. Não bastasse a felicidade de rever Gregory Itzin, a alegria foi redobrada vendo esses dois no cast. O motivo do crime? Kim tinha "rabo preso" com o pai da vítima e corria o risco de ser subornado mais de uma vez por este. Além disso, caso a vítima revelasse a verdade sobre o acordo feito com o pai, Kim perderia o negócio que estava investindo. Foi na resolução do caso, com todos os suspeitos em uma sala, que Patrick mostrou as táticas que estamos tão acostumados a ver.
Mas, hold on! Vale comentar a forma que tudo se desenvolveu entre ele e a galera de Lisbon. Por que pairava a pergunta “e agora, o que ele vai aprontar?” a cada momento que o charlatão se misturava com os policiais. Ele tomando chá no escritório e dizendo aos intrigados Rigsby e Cho que Teresa havia pedido que ele retornasse foi um desses momentos. E, diferente do que eu esperava, as primeiras contribuições à investigação foram dadas sem o propósito de ser contratado. Parece que Jane apenas não conseguia se conter em se meter e apontar o que estava claro aos seus olhos sensíveis às evidências não evidentes. Creio que muita gente tenha imaginado que ele fosse desvendar o assassino sem ninguém pedir, fazendo a linha intrometido de sempre. Qual a surpresa ao ver que Teresa, percebendo o “dom” do falso médium, pediu para que ele ajudasse a resolver o caso.
Interessante - e incrível de Simon Baker por conseguir transmitir isso tão bem no protagonistaperceber como Patrick estava em um processo de negação quanto a ser vidente. É uma das frases típicas dele “não existem videntes ou coisa do tipo”, mas em Red Dawn ele afirmava isso como se tentasse se convencer, dado o remorso por ter levado Red John a assassinar sua família justamente por ter se proclamado médium para o serial killer. Por outro lado, mesmo assumindo ser charlatão, Patrick se deixou convencer pelo argumento de Teresa de que ele tinha um dom. E pareceu surpreso ao conseguir usar isso para ajudar os detetives. Surpreendente! Ou, pelo menos, diferiu de algumas expectativas.
Devo apontar algumas cenas para as colegas shippers de plantão: galera pró-Jisbon com certeza surtou com o abraço que Patrick deu na chefe, após concordar ser consultor do CBI. E não menos com a ternura dela ao encontrá-lo dormindo no conhecido sofá, perto dos arquivos do caso Red John. E, para quem tá no time Rigspelt comigo, não passou batido o momento em que Cho e Rigsby comentam que Hannigan saiu da equipe, pois não queria trabalhar com Jane e Teresa avisa que estão escolhendo outra pessoa. Previsível que entre os currículos estivesse o de Grace, que Wayne mostra para Cho e diz: “gostei dessa daqui”. The Mentalist também é romance!
Por ser o tão falado episódio nº 100, estava achando bom, mas sem impacto. Mas quem disse que não houve impacto? Não podia prever que num episódio que voltasse ao passado, a chefona do FBI, Alexa Schultz, fosse dar as caras. E mais que isso: deixar mais do que nas entrelinhas que é uma das aliadas a Red John. Red Dawn trouxe com força o questionamento: o que essa quinta temporada de fato reserva?

PS: Review ao som de Red, da Taylor Swift. Qualquer semelhança não é mera coincidência.

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8 comentários

  1. Se você contar todos os epsodios da 99. Não entendi porque consideraram ele como o 100.

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  2. Jura, Thiago? Então vai ver que a matemática do pessoal da CBS anda fail...

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  3. Outra referência à Fringe é o que aparece como Red John :P

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  4. Lilly, não me lembrei da cara dele em Fringe. Era qual personagem? *shame*

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  5. Era Sam Weiss, se não me engano... O cara do boliche!

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  6. Quem era o cara no final que agradece a chefa do FBI por ter feito a ligação?

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  7. É o Robert Kirkland, que deixam no ar a possibilidade de ser o RJ.

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