Dexter 8x01: A Beautiful Day

quarta-feira, julho 03, 2013


Quando a morte de uma personagem pode afetar quase o cast todo.

Ou não. Quinn e Masuka vão muito bem, obrigada. E se eu tiver de destacar um momento na estreia da última temporada (ever!) de Dexter, então fico com os minutos iniciais. Sim, Dex e o filhote em uma cena bucólica cuja trilha era nada menos que What a wonderful world, de Louis Armstrong. O cliff hanger da season finale prévia lançava a pergunta: o que seria de Dexter e Debra depois que a Morgan certinha matou a própria chefe? Nesse primeiro momento, a narrativa de Dexter fez parecer que a morte de LaGuerta tinha sido a solução dos problemas da humanidade – ou dos dele, pelo menos.

Surprise! Não foi bem assim. E já era de se esperar, claro. O peso do que aconteceu foi muito maior para Debra, mas os produtores garantiram que rolasse um suspense até que a personagem fosse mencionada. Assim, depois de Dexter relatar como a vida era bela sem LaGuerta, foi possível matar a saudade do restante do pessoal da Miami Metro. Se alguém estava realmente sentindo falta de Maria, esse alguém era obviamente o Batista. O ex-marido da falecida fez um discurso quase comovente na cerimônia de homenagem em que a chefona defunta recebeu como memória um banco de concreto. Detalhe só para que Masuka soltasse um daqueles comentários típicos que fazem pensar: é, em 8 temporadas Vince continua bizarro.

Os Morgan, no entanto, mudaram muito. Foi então que nos deparamos com uma Debra literalmente louca de dorgas. Na cerimônia, todos alegaram o quanto a morte de La Guerta havia abalado a irmã de Dex, o que deixou claro o óbvio, ou seja, que os irmãos conseguiram fazer parecer que o assassino havia sido o Estrada. Quem será que fez a perícia? O próprio Dexter? Bem, abafa o caso.

Uma atuação merece extremo destaque e louvor: a de Jennifer Carpenter, é claro. O estado caótico em que Debra se encontra nessa temporada, perdida – mas não tanto quanto o protagonista -, mas tentando desesperadamente se agarrar aos valores que carrega (a moral típica da cria de Harry) foram expressos de maneira perfeita pela atriz. A princípio parecia que Debra estava tão no fundo do poço que estava envolvida com um traficante por pura decadência. Lá para meados do episódio descobriu-se que não era bem assim, e que aquilo fazia parte de uma investigação. Mas não para o departamento de polícia de Miami: agora a moça trabalha num esquema quase freelancer para uma agência de investigações. Nada surpreendente, mas um caminho que faz todo o sentido.

Fazia sentido também Dexter ter ficado meses sem falar com a irmã mesmo podendo imaginar – ou não, sabe-se lá como a mente de um psicopata funciona – o quão estragado estava o psicológico dela. Fazia sentido porque, afinal de contas, sendo um psicopata, empatia não deveria ser um dos pontos fortes do personagem. Mas, de repente, bam! Foi só falarem dela na cerimônia de La Guerta e Dex teve os cinco minutos de surto de “preciso encontrar a Debra”. Começou então ‘Procurando Debra’, com muitas ligações perdidas na caixa postal lotada. E foi o início da piração de Dexter: todo o discurso dos minutos iniciais do episódio sobre como a vida era divina sem La Guerta foi jogado na lixeira. Ainda estou tentando entender a alteração súbita.

Dúvidas à parte, não custou muito esforço para que o assassino em série reencontrasse a irmã recém-criminosa. Destaque para a sacada engraçadíssima do ‘fucking password’.

Se Dex esperava que Debra estivesse bem e de braços abertos para reatar a relação estranha que se desenvolveu entre os dois, estava bem enganado. De novo, a performance de Jennifer foi impecável em cada cena em que os Morgan entraram em confronto.

E esse foi só o começo dos problemas. O vilão da última temporada é um serial killer meticuloso (tanto quanto o protagonista) que remove parte do cérebro das vítimas. Ok, sem plural, até agora apenas um corpo apareceu na história. Mas, com isso, apareceu também a provável pedra final no sapato de Dexter: a psicanalista Evelyn Vogel (Charlotte Rampling), uma especialista em assassinos em série (é!) com cara de defunta e mais sinistra que o Masuka. A Dra. Vogel fez questão de rondar Dexter com afirmações e olhares estranhos, de quem sabe que ele é mais que “o cara do sangue”.

Uma abordagem esquisita aqui e outra ali, o papai Morgan perdia cada vez mais o controle, chegando a descontar em Harrison (Jadon Wells, uma gracinha de criança!). Resultado: acabou matando Andrew Briggs (Rhys Coiro), o suposto namorado investigado de Debra e causando mais tensão na relação com a irmã – para não dizer problemas para a coitada. 

Os pontos altos foram as interações entre os irmãos Morgan, os surtos de Dexter e a aparição da Dra. Vogel. Mas a estreia da temporada não trouxe nem um terço do que parece prometer para o restante dos episódios – a volta de Hannah McKay, por exemplo.  Por outro lado, já ficou a dica de que Jamie mostrará muito os peitos e a bunda ao longo da temporada. Alguém me explica o que ela e Quinn estão fazendo juntos de novo (além de sexo)? Me perdoem a amnésia ou a falta de atenção no que se refere ao Joey, mas a última lembrança que tenho é dele com a tal da Nadia (a loira do clube da gang do Isaak [sdds!], pra quem não lembra). Torcida para que Batista descubra o que anda rolando embaixo do nariz dele e dê uma boa sova no colega de trabalho. 

Das irrelevâncias para o que realmente interessa, A Beautiful Day terminou daquele jeitinho que dá desespero de saber o que vai acontecer: a substituta de La Guerta na perseguição a Dexter, isto é, a Dra. Vogel, não tardou a fazer uma abordagem direta e relevou que conhece o código do Harry. A grande questão: como?

A voz da consciência em forma de Harry Morgan terá muito com o que se ocupar nos próximos onze episódios. A contagem regressiva começou!

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3 comentários

  1. Gostei muito desse episódio. Agora é só os roteiristas saberem como trabalhar direito para não estragarem a temporada. Drª Vogel já chegou e se tornou um empecilho para Dexter. Penso que Harry levou Dexter para uma psicologa quando era criança, por isso explica o fato da Vogel ter desenhos feito por ele. Debra brilhando como sempre. Ela é a única personagem em toda a série que cresceu e não decepsionou

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  2. E no fim a explicação pro conhecimento da Vogel era outro né? Mas gostei da teoria!
    Deb realmente não decepcionou... espero que ela continue nos trazendo surpresas positivas!!

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  3. Jennifer Carpenter sabe mesmo como atuar.

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