The Blacklist 1x15/1x16: The Judge/Mako Tanida

domingo, março 23, 2014



The Blacklist é uma série errática. Em certos momentos é capaz de apresentar uma trama que desenvolve temas como culpa, inocência e justiça (The Judge) que jamais soam como divagações, mas como parte integrante da trama e do desenvolvimento daquele episódio. Duas semanas depois, num episódio cheio de novas informações sobre aqueles personagens e que começa a conectar vários elementos até então isolados, tudo parece corrido e feito sem muito cuidado.

A história de The Judge se restringe apenas a esse episódio em sua maior parte, mas é bem utilizada para mostrar mais sobre Cooper, reforçando a imagem várias vezes sugerida até aqui que ele é apenas um burocrata carreirista. Todo esse esforço para mostrá-lo nem como bom ou mal, apenas alguém preocupado com a próxima promoção, coloca-o numa posição perfeita para ser sacrificado no futuro em algum ato redentor, deixando claro que no fundo ele sempre foi uma boa pessoa. Isso é mais atenção do que qualquer um dos outros coadjuvantes já recebeu.

A investigação de Red que acontece paralela a essa trama é a preparação para o cliffhanger do episódio – a revelação surpreendente (not!) que Tom é um espião – e nada mais que isso. Depois das inúmeras advertências de Reddington quanto a real identidade de Tom, era apenas uma questão de tempo para a descoberta da verdade. Quando Jolene finalmente se revela para ele, é clara a intenção de se criar um momento inesperado, mas que é ao mesmo tempo incoerente afinal, se os dois trabalham para o mesmo chefe, qual a necessidade de todo o fingimento dela?

Essa pequena incoerência no fim de The Judge é apenas um aperitivo dos erros de Mako Tanida. Se antes Tom jamais deixava transparecer sua real identidade, agora vemos cenas com trocas de olhares com significados subentendidos entre ele e Jolene enquanto Lizzy não faz ideia do que acontece ou um banho com as mãos ensanguentadas. 

Parece um tanto tolo que os roteiristas realmente acreditem que o segredo de Tom era um grande mistério, e agora que foi revelado esse tipo de cena pode ser vista sem problema. Ele vem sendo competente há dois anos, jamais permitindo que Lizzy sequer suspeitasse – mantendo a farsa mesmo quando ela descobriu os passaportes escondidos—dele mas agora, apenas por que conhecemos parte dos seus segredos, vemos cenas que podem ser encaradas como erros enormes cometidos por ele, que o deixariam sob suspeita. Agora que esconder esses detalhes do espectador não importa mais, o personagem pode demonstrar alguma incompetência.

A circunstância da morte de Jolene e do Caubói são absurdas. Mesmo quando o último diz para a espiã exatamente o que acontecerá, ela decide virar de costas para Tom assim mesmo e fazer a ligação. Ainda que ela não acreditasse no homem preso a cadeira, ela poderia ao menos exercer alguma precaução e se preparar para se defender. Obviamente isso não aconteceu, já que os roteiristas precisavam seguir em frente com a trama, sendo rápidos em deixar a lógica de lado para alcançar esse objetivo o mais rápido possível.

Quando comentei o sexto episódio da série disse que a eficiência com que Tom estava exercendo seu trabalho tornaria muito difícil explicar seus reais propósitos quando o momento chegasse, e é exatamente isso que esta acontecendo. O esforço para ocultar esse lado de Tom foi tamanho, que agora será necessário gastar a mesma energia para fazer tudo se encaixar.

O vilão da semana, Mako Tanida, tem uma história de vingança que tinha potencial, mas é sabotada por más atuações e um roteiro fraco. Quando as ações do mafioso japonês acabam dando início a uma outra jornada de vingança - a de Ressler - tudo parece ótimo, há uma boa ideia para desenvolver ao longo do episódio, mas a execução passa longe do ideal. A falta de conhecimento sobre aqueles personagens – a ex de Ressler nunca foi bem utilizada na série —, o até então desconhecido estoicismo do agente do FBI e a incapacidade de atuar de Diego Klattenhoff, o intérprete de Ressler: todos os motivos combinados enfraquecem a boa premissa.

(Talvez o personagem deva ser assim, impassível, e o ator fez o trabalho que devia fazer, mas é impossível dizer qual das possibilidades é a mais provável por que nunca de fato conhecemos o personagem)

Já próximo ao fim de Mako Tanida, a inconsistência de The Blacklist se manifesta uma vez mais. Após um episódio inteiro sem qualquer sutileza e que abusa da boa vontade do público, vemos uma cena que de forma econômica exprime a complexidade dos sentimentos de Reddington, que estão diretamente ligados as perdas sobre as quais ele tanto fala. A cena do balé é bela justamente por, em vez de explicar, mostrar o que o seu protagonista sente através da solidão de um teatro vazio e da saudade e tristeza contidas na mistura das cenas do presente e do passado, onde vemos Lizzy ainda criança dançando.

Se momentos como esse fossem mais comuns na série, as ações de Ressler seriam mais compreensíveis, Tom não necessitaria de tantas explicações para fazer sentido e The Blacklist seria uma série excepcional.

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