24 9x04/05: 2:00PM – 3:00PM / 3:00PM – 4:00PM

terça-feira, maio 27, 2014

Não há redenção, Jack.
SPOILER ABAIXO


Há alguns dias eu gravava o S.A. Cast quando Léo sugeriu que comentássemos sobre o retorno de 24 Horas. Foi gratificante conversar sobre a série, assim como é empolgante acompanhar o retorno de um dos maiores sucessos da FOX e sim, um dos maiores sucessos das séries já produzidas no mundo. Mas a verdade é que muito se questiona sobre a razão de Jack Bauer ter se transformado em um fenômeno tão querido pelo público.

Confesso que não tenho respostas tão claras, na verdade nem eu mesma sei responder porque eu gosto tanto de 24 Horas, além de sentir imensa satisfação a cada episódio. Mas o fato é que, após algumas questões levantadas pelo próprio Léo em relação à estrutura da série, eu me coloquei a pensar sobre a seguinte indagação:

O que 24 Horas está nos oferecendo em seu retorno?

Em um primeiro instante eu diria que a série nos trouxe mais do mesmo. Isto nem de longe é uma crítica, afinal eu desconheço qualquer outro seriado policial que consiga intensificar ao máximo suas cenas de ação e emoção com tamanha perfeição assim como temos nesta série. Além de sentir a magia daquele relógio contando segundo por segundo e nos fazendo enlouquecer quando percebemos que a hora irá acabar antes que sejamos transportados ao próximo desfecho...

Enfim, não há dúvidas de que seja mais do mesmo, mas é um mais muito bom!

Respeitando a própria estrutura na história da série, a nona temporada de 24 comprometeu-se a compor o cenário que aguardamos: Jack age sobre sua própria independência e objetivos específicos de garantir a “segurança”, seja ela do país, do presidente ou da população. Paralelamente, temos a temática dos agentes da lei, aqui representados com mais ênfase por Steve, Erik e Kate. Por fim, tempos a organização governamental, transitando para o território britânico (pela primeira vez, fora dos E.U.A.), o presidente Heller, sua filha Audrey e seu marido Mark.

Associado a esta composição temos o tema da temporada, sempre comprometida a atribuir a responsabilidade direta dos atos de violência ao bom e velho terrorismo, o objeto de desgraça e adversidades políticas, desta vez, são os VANT ou VARP, mais popularmente conhecidos como drones. Seria possível provocar atentados terroristas por estas aeronaves? Bem, esta é a questão do momento.
Mas sejamos sinceros, ainda que tudo isso lhe chame a atenção, nós sabemos que não é por esta razão que 24 Horas arrebatou milhares de fãs por todo o mundo.

Então, o que é tão mágico e diferenciado nesta série que nos faz voltar diante da T.V. como se quatro anos fossem ontem?    A resposta é fácil e está na ponta da sua língua: Jack Bauer.

Parece ousado contribuir toda a fama desta série a um único personagem, mas seria mentira afirmar algo diferente. Não é uma questão de quem ele seja, mas sim do que ele é capaz. Você poderia procurar em inúmeros filmes e outras séries também, (eu lhe desafio a isto!), mas não houve nada construído no universo cinematográfico capaz de estabelecer uma personalidade tão conturbada e cruel capaz de ocupar, inadequadamente, a posição de herói no conceito do telespectador.

Esta estrutura da série que tanto é questionada por fornecer a impressão de que ninguém consegue enxergar os fatos e ser capaz de ir aonde Bauer já fora, não é construída ao acaso e nem de longe pode se deixar menosprezar. Pois esta estrutura é, de fato, comprometida com a verdade... A realidade de um conceito difícil de aceitar, simplesmente porque estamos enquadrados no mesmo. Mas Jack é diferente porque ele se permite agir fora do “protocolo” ele se permite compreender que para combater o inimigo é necessário pensar e agir como tal e que isto se sobrepõe à máxima da moralidade.

A grande brincadeira de que Bauer é um agente amaldiçoado não é apenas piada, mas consequência de um indivíduo que foi capaz de ultrapassar um limite que a maior parte da sociedade não é, pois não há volta. Mais do que isto, compreender a sua competência de fazer o que é necessário acima da própria compreensão da sociedade é uma decisão que está além do próprio comprometimento moral e por esta razão, é natural que quem tome esta iniciativa perca-se nos próprios limites e não tenha mais foco em seus objetivos.

É daí que surge a famosa expressão do agente amaldiçoado, pois todos que decidiram seguir os passos de Jack se perderam em uma trajetória de fracassos e armadilhas pessoais, como Tony, Renée e Chloe...

E por que o próprio Jack Bauer não perde o foco? Porque ele pensa, age e tem as mesmas crenças que o inimigo.

Jack é um terrorista, trabalhando a serviço da sociedade!

Desde a terceira temporada de 24 Horas, quando Bauer é incitado a matar Ryan Chappelle, é apresentado ao espectador o lado mais amargo da verdade, de que aquele agente da CTU está disposto a TUDO em busca do “bem maior”. O propósito da salvação está acima de qualquer exigência.

Talvez seja possível afirmar que nem os próprios produtores e criadores da série sabiam do ícone que se formava ao decorrer das temporadas. Mas se houve algum objetivo ele foi concretizado com êxito ao desenvolvimento do oitavo dia, quando não havia mais nada a se perder e fomos apresentados a um homem atormentado pelo desejo de vingança acima da própria justiça sendo capaz de estripar um ser humano em busca de um chip de celular. Você se lembra?

Mas por que recordar todos estes momentos?

“Porque quando pensamos no traçado evolutivo da série, percebemos que talvez, este nono dia da vida de Jack está mais “tranquilo” do que deveria...

Ao decorrer do tempo, passaram-se cinco horas em uma totalidade de doze, aonde o objetivo de Bauer é impedir o ataque de drones no território britânico. É lógico que não vou questionar a necessidade de 6 aviões para provocar atentados em uma ilha, ou até mesmo porque o exército britânico não está liderando a operação. Pois não há grande importância, a grande relevância é ver o mesmo Jack Bauer que já foi capaz de parar um veículo presidencial dentro de um túnel matando agente por agente até o momento em que seu alvo decidisse se render.

Está faltando surgir o Jack Bauer “bad ass” que tanto conhecemos e que tanto nos faz surtar diante das telas.

É óbvio que minhas expectativas estão centradas nas próximas duas horas, afinal os planos para deter Margot Al-Harazi e sua família foram por água abaixo, deixando Erik e Steve incapacitados para novas estratégias. Assim sendo, Heller tem duas horas para tomar sua postura final, eu espero que a história não se repita, assim como foi com o Omar Hassan. E para que isto não ocorra é preciso crer que Heller concederá a Bauer a credibilidade para agir por conta própria e que Kate seja sua aliada para deter os atentados.

Em contrapartida, Jack precisa perder qualquer esperança de voltar aos E.U.A., entendendo que seu destino já está traçado, e ele não é um herói. Ainda que a cena do reencontro com Audrey tenha sido emocionante é um retrocesso ter alguma esperança que os dois fiquem juntos. A filha de Heller pode se tornar uma forte aliada de Jack em um panorama onde o seu marido Mark fará tudo para que o presidente não dê ouvidos à Bauer. Especular uma relação além dessa, seria consideravelmente decepcionante.

Em nome da amizade que tem por Jack e nos próprios princípios, Chloe desfez seus laços com Adrian. Mas é triste afirmar que ele era um forte aliado. Com O'Brian agindo por conta, a única expectativa de ser útil à Bauer é manter o contato com Kate e se utilizar de Jordan como uma ferramenta aliada.

Então que seja dado o veredito e tenhamos expectativas de que o Jack Bauer mais furioso do que nunca surja diante das telas e nos surpreenda nas próximas sete horas.

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4 comentários

  1. Não tinha pensado no Jack como um terrorista em favor da sociedade, foi um ótimo ponto mas vamos aprofundar esse conceito, se o que o presidente dos EUA pensa sobre o que é bom para o ocidente for de encontro com o que Jack acredita? o que ele vai fazer? E se as informações divulgadas para o público forem manipuladas para o bem da imagem dos EUA? Acredito que o Jack como você afirmou no texto: "indivíduo que foi capaz de ultrapassar um limite que a maior parte da sociedade não é, pois não há volta. Mais do que isto, compreender a sua competência de fazer o que é necessário acima da própria compreensão da sociedade é uma decisão que está além do próprio comprometimento moral e por esta razão, é natural que quem tome esta iniciativa perca-se nos próprios limites e não tenha mais foco em seus objetivos."
    Jack se tornou a imagem do americano que ama o seu país mas que guarda uma arma em casa caso o governo tente tirar as suas liberdades constitucionais, seus direito que formam a essência do Estado americano, acho que isso também ajudou subjetivamente o sucesso da série.

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    Respostas
    1. Rodolfo adorei sua observação. sério, muito boa. E concordo contigo.
      bjao.

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  2. Oi, Seriadores!

    Então, li o livro e assisti ao filme, e ao contrário da
    Camis, eu fiz naquela exata ordem, primeiro livro depois filme, e deixa-me
    contar: detestei o filme!

    Uma pena, porque juro que fui com o coração aberto e muito
    feliz, pois queria verdadeiramente gostar do filme, até mesmo porque eu adorei
    o livro!

    Não gostei da liberdade criativa que os roteiristas adotaram
    mudando algumas coisas do livro, e olha que não sou daqueles chatos que
    implicam com mudanças, não gostei porque realmente não fizeram sentido!

    Para quê por a mãe da Tris mocozada para contar o segredo a
    ela no meio de uma feira, se no livro o negócio acontece super de boa na
    reuniãozinha que poderia durar 5 minutos no filme? E essa Janine que só falta
    andar um com melancia no pescoço para lá e para cá enquanto no livro ela
    realmente só é presente no segundo? E o que foi aquele final, meu povo, da Tris
    injetando o soro na Janine? Oi? Nem comento as simulações porque a Erika já foi
    mais que objetiva e tem meu apoio!

    Agora uma coisa que gostei foi da cena inicial, achei-a bem
    bonita e foi bem como eu imaginei que seria. Gostei também dos efeitos
    especiais, pois temos que ter em mente que é um primeiro filme e os estúdios
    nunca arriscam financeiramente muito nos primeiros filmes dessas franquias que
    podem não dar certo!

    Os atore não corresponderam muito ao que eu criei em minha
    mente, mas achei que funcionaram bem!

    Agora estou na metade do terceiro livro e não sei se estou
    gostando do rumo que a história tá tomando, mas isso é assunto para os próximos
    Podcasts!

    Ah, tenho que agrade ao Léo porque foi por causa da dica
    dele que comecei a ler os livros ;)

    Abraço a todos, e que a sorte esteja sempre ao seu
    favor...ops... franquia errada! =D

    Bjss

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