Mad Men 7x04: The Monolith

domingo, maio 11, 2014


Toda o constrangimento que Don passou em Field Trip era apenas uma demonstração do que seria a vida dele agora que voltou a Sterling Cooper. Durante The Monolith, o incomodo da presença para os outros se torna algo humilhante e a partir dai o episódio toma um rumo inesperado ao mostrar Don se aproximando perigosamente de antigos hábitos.

Os momentos de bebedeira de Don no episódio atestam a eficiência da construção da história dele até aqui nessa temporada. Após vermos por três semanas o começo de uma mudança no personagem, é inevitável temer pelo futuro dele quando o vemos roubando bebida do escritório de Roger ou, mais tarde, quando anda bêbado pela agência. Se antes tudo parecia caminhar de uma maneira consideravelmente otimista – para os padrões da série –, a crise de Don durante esse quarto episódio é um lembrete que, como era de se esperar, a vida dele no trabalho não seria fácil.

Roger tem uma importância grande para esse momento de recuperação de Don. Ele sentia falta dele no escritório – algo bem exemplificado no segundo episódio quando ele conta uma história engraçada e Lou começa a falar de trabalho, sem dar muita importância –, e acabou lhe dando uma nova chance, sendo o único que realmente se importa com ele – de uma forma irresponsável, é verdade, já que lhe oferece bebida sabendo que ele não pode aceitar. Quando Draper não o encontra no escritório para falar sobre a LeaseTech, ele acaba recebendo o último empurrão que lhe faltava depois das várias decepções que sofreu desde o seu retorno. Sem o único aliado que tem naquele lugar, o a sensação de abandono era inevitável – a primeira cena, quando Don encontra a agência deserta, é uma ótima metáfora para a situação em que ele se encontra.

Claro, Roger não se afasta da agência com esse propósito, ele tem os seus próprios problemas para lidar. Além da hipocrisia enorme que ele expressa ao viver numa orgia constante no seu quarto de hotel mas se opor as escolhas da filha, fico curioso para saber como ele reagirá após ser obrigado a pensar sobre como ele a negligenciou. Se antes ele podia fingir não ver a sua própria irresponsabilidade, ou mascará-la sob a desculpa de estar ocupado com o trabalho, agora ele é obrigado se avaliar por um novo ângulo que não é assim tão diferente da opção de Margaret de viver em uma comunidade hippie.

Na mesma medida em que Don tenta arrumar a sua vida, Peggy parece concentrar seus esforços na direção oposta. Cada atitude dela carrega uma crueldade infantil, seja o prazer mesquinho ao mandar a secretária chamar Don ou simplesmente de lhe comandar – Elisabeth Moss consegue mostrar na medida certa a excitação quase incontrolável que Peggy sente se ver como a chefe de Don –, tornando-a aos poucos uma personagem cada vez mais desprezível. 

A forma imatura que ela encontra para lidar com os problemas que ela tem com Don acabam tornando as atitudes dele justificáveis. Por isso nos momentos onde ele se rebela contra ela, voltando a agir de forma explosiva e inconsequente, não parece precisamente uma recaída de Don, mas sim uma merecida resposta dele aqueles sorrisos mal escondidos de Peggy enquanto lhe dizia o que fazer. Se a reação as cenas onde Draper joga paciência ou arremessa a máquina de escrever deveriam ser de pesar pelo caminho que ele está escolhendo percorrer novamente, o efeito se perde.

Esse pequeno erro não chega perto de estragar o arco que vem sendo construindo para Don, que certamente ainda deverá superar bastante problemas para encontrar alguma forma de redenção, se esse for mesmo o caminho seguido por ele.

PS: As referências a 2001: Uma Odisseia no Espaço são boas. O filme, que foi lançado no ano anterior aquele em que a sétima temporada se situa, é referenciado no título. Os monólitos, que no filme estão associados a evolução tecnológica humana, aqui são representados pelo computador, que desperta o mesmo tipo de estranheza que há no filme quando os ancestrais do Homem encontram o monólito.

A outra referência está no dialogo de Roger ao se referir a Don: “Ele está naquela caverna a três meses e ainda não bateu em nenhum outro macaco com um porrete”

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