Person Of Interest 3x21/22: Beta/A House Divided

sexta-feira, maio 09, 2014


A terceira temporada de Person Of Interest foi facilmente a melhor até aqui, e seria necessário que o último episódio fosse realizado com uma incompetência indizível para mudar esse fato. Os recentes episódios são o resultado de uma trama complexa, povoada por personagens ricos e donos de interesses tão conflitantes, que poderia, a qualquer momento dessa temporada, ter fracassado ante suas próprias ambições, mas teve sucesso ao saber quando era necessário se distanciar do habitual para contar uma história que não fosse efêmera.

Beta faz um excelente serviço ao mostrar o perigo representado pelo Samaritano ao transformar Finch e cia. em fugitivos. Ver o grupo sendo obrigado a se esgueirar pela cidade e ter de improvisar enquanto tentam se manter distante dos vários olhos do inimigo funcionam como um excelente meio de estabelecer a ameaçar, ao mesmo tempo que mostra uma bem-vinda inversão de papéis, colocando os protagonistas em uma rara posição onde não possuem o controle da situação. 

Não bastando terem de enfrentar um computador superpoderoso, o homem que o ativou, Greer, se mostra cada vez mais um excelente vilão. Seu comportamento comedido que oculta alguém motivado e com os recursos para alcançar seus objetivos, que estão longe da megalomania que acomete tantos vilões, o tornam ameaçador. A competência dele é perceptível, e seu desejo é bastante mundano – poder, o controle sobre o futuro através de tecnologia e informação – o que faz dele alguém perigoso para os heróis por ele saber estar tão perto de conseguir o que deseja.

A reaparição de Grace na série trouxe um pouco de dramaticidade para trama. O dilema constante de Finch, os sentimentos confusos que ele nutre em relação a sua criação, todas as intensas e habitualmente ocultas emoções dele ganham peso quando ele aceita inevitabilidade daquele momento na ponte. O roteiro ainda evita cair no caminho fácil e pouco inventivo, jamais permitindo que o casal se reencontre, escapando de um momento melodramático que em nada acrescentaria a trama.

A House Divided mostra outros aspectos da complexa trama dessa temporada. Se concentrando nas atividades de Peter Collier, e em menor grau nos movimentos políticos para dar total poder ao Samaritano, o penúltimo episódio é eficiente em aprofundar os motivos de Collier, e em conectar pontos ainda soltos da narrativa.

Assim, vimos um pouco do passado de Collier e pudemos entender a sua motivação para liderar o Vigilance. Apesar de clarificar esse aspecto importante para o desenvolvimento do personagem, os flashbacks são pouco criativos ao explicar o que o levou a agir contra o governo. 

Sendo, no máximo, meramente informativo quanto ao passado de Collier, os flashbacks de A House Divided mostram que apesar dos esforços de Finch para que as capacidades da Máquina não fossem abusadas, sua criação ainda não esta livre dos erros humanos. O tipo de erro exemplificado pela prisão injusta do irmão de Collier ecoa as ideias de Root e de Greer – o discurso tecnofílico de Greer não me convence, entretanto, jamais chegando perto de ser o bastante para afastar a ideia de que ele fez tudo o que fez apenas por poder. A Máquina não tem preconceitos, ela não faz perfis raciais ou associações simplistas – um mecânico de avião amigo de um muçulmano: uma óbvia conspiração terrorista, só que não – tornando-a uma hipótese aparentemente superior quando se trata do policiamento do comportamento humano.

O outro lado dessa ideia é personificado por Finch e o seu temor diante das possibilidades apresentadas pela inteligência que ele criou. Em certo ponto todas as metáforas sobre pais e filhos se tornam repetitivas, mas o medo expresso por Harold durante a conversa nunca falha em transparecer, numa atuação contida mas bastante eficaz de Michael Emerson, que deixa o perceptível aquilo que é sentido pelo personagem sem jamais fugir da quietude e da aparente apatia comum a ele.

Há apenas uma grande falha notável nesse episódio. Parecendo querer acelerar os eventos para que  o season finale possa se forcar apenas naquele julgamento mostrado nos segundos finais, o roteiro torna todas as ações de Collier extremamente fáceis. A explicação dada para isso é rasa – de alguma forma eles mantiveram as intenções deles ocultas aos olhos da Máquina – deixando implausíveis os momentos onde o grupo sequestra a Controle e, mais tarde, Greer e Finch. Essa última ação se torna mais improvável ainda se lembrarmos que segurança nunca foi um problema para a Decima, já que a empresa parece ter um pequeno exército particular. Exército esse que é logo esquecido quando Greer precisa ser sequestrado para que a trama funcione e o tempo do episódio se aproxima do final.

O cenário para um excelente season finale esta montado, com vários mistérios ainda guardados – qual o plano de Root para destruir o Samaritano? - e a certeza de que esse foi de longe o melhor ano de Person Of Interest.

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8 comentários

  1. VALERIANA BARROSsábado, 10 maio, 2014

    Camis, obrigada pelo elogio ao meu nome.rs


    Me divirto muito com vocês.

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  2. GENTE, CAMIS, CONCORDO COM TUDO SOBRE SA(MERDA)LEM!!!! Também tenho saudades do Salem (gato), também só gostei da menina cachorro que come o dedo a troco de nada, e achei válido a cena do Seth Gabel comendo a prostituta e só. Toda a cena do diabo pegando o bebê da mulher lá já vi no piloto da série do cavaleiro sem cabeça (ou seja...) e acho que a CW consegue fazer sequências e montagens de cena melhores do que essa naba - e nem precisa voltar muito em TVD pra provar. Aliás, taí, toda aquela saga da bruxa de nome estranho que pôs a maldição no doppelganger do Stefan (nem lembro mais o nome das pessoa, amém senhor), não sei porquê cargas d'água, mas me parece muito com Salem. Aliás, digo mais, Bonnie é melhor que qualquer bruxa ali. Digo ainda: saudades de TSC. DIGO MAIS AINDA: SALem é um sacrilégio com o nome do nosso amado SALzinho.

    Infelizmente meu namorado, que não tem parâmetro algum - e acreditem, eu já tentei dar parâmetro a ele, mas o máximo que eu consegui foi fazer ele assistir as duas primeiras temporadas de AHS - gostou desse trem (e ele ainda gosta de Witches of East End :s - que também é melhor que Seilem).

    Mas afinal, não dá pra levar a sério uma série que acha que o Shane West mais sujo do que já é, com cabelo ruim, e que ressalta ainda mais seus dentes tortos, pode ser um galã.

    Bom, beijos pra vocês, volto quando tiver mais coisa pra comentar.

    PS: algum dia eu vou no Karaokast!!! Não coloquem meu nome na boca do sapo de mãe Lea porque eu moro quase no Acre D:

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  3. Ah, é, li o comentário de Zanon e lembrei de comentar de Faking It, essa delicinha <3 Camis, como assim você acha que aquele menino é muito "mulher"? Se ele é mulher, porrãn, sou hétero #boom


    Adoro muito essa inversão de valores proposta pela série e o fato de não colocarem isso numa bolha de ficção. Explico: adoro que os personagens tem noção de que aquilo não se encaixa no mundo real e vivem fazendo piada ou se aproveitando disso.

    Diferente de Zanon, adoro Amy, e tenho certa raiva de Karma, que fica fazendo a amiga de gato e sapato pra ser popular e pegar o cara mais gostoso da escola, enquanto deixa a loira apaixonada, se sentindo traída, e ainda a força a se assumir pra sua mãe e a cidade inteira. #ItsKarmaBitch #KarmaIsGonnaGetYouKarma #WhatGoesAroundComesAround #NãoSouFãDeJustinMasFizReferência


    PS: Adorei a cena "Don't go breaking her heart!" "I couldn't if i tried" <3

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  4. E sim, esse sou eu pagando muito bem pra vocês, exijo leitura de um dos meus comentários no próximo podcast, não me satisfarei com hugzinho dessa vez u.u

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  5. Sobre GoT: Só tenho a declarar que estou muito satisfeito com GoT, e tô cagando na barraca desses mimizentos tudo.


    Sobre Survivor: Não acompanho, talvez comece. Amo plot de gente inteligente que é burra, gente bonita que não é bonita e gente bonita e burra que é descaradamente favorecida pela produção (essa última não, mas ri muito com a possibilidade).


    Sobre Black Box: gente, série com plot copiado de Do No Harm, ninguém merece, né? Pior ainda, esse caso da semana do menino que escrevia em tudo quanto era quanto, com sangue se preciso, e no fim das contas era um tumor e etc. não foi visto EXATAMENTE assim em Monday Mornings, Brasil?! E gente, isso é transtorno de personalidade, não é não? Borderline, essas coisas... Pessoa bipolar se alterna entre fases de depressão, tristeza, ansiedade e afins com histeria, animação, excitação, alegria e talz (sendo que cada fase pode durar um dia ou semanas). Não é normal e de repente, sem medicamento vira uma louca, uma deusa, uma feiticeira vadia com poderes ninjas.

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  6. Sobre Orphan Black: No primeiro episódio da temporada eu senti durante todo o episódio que era um episódio comum de meio de temporada, mas justamente por isso gostei. E desculpa, mas sim, minha cara foi sambada com todo o negócio de #ShakiIsAlive - ou será que ela foi substituída que nem Avril e Anitta?!

    Bom, gostei da inserção de novos Proletheans, mas todo aquele negócio de eles estarem inseridos numa fazenda me parece meio... sei lá... me lembra Cult, sabe? (ugh) Mas ok. Só achei desnecessário ressuscitar o tal mestre da Helena lá só pra matá-lo de novo (nem me lembrava daquele cara). Também estou gostando do desenvolvimento que estão dando pra Sra. S. e AMO de montão o plot da peça de Alison, enquanto acho que a história de Cosima só resolveu andar agora com a clone defunta e o negócio do útero lá...


    Kira me surpreendeu nesse último episódio, em que ela apareceu RINDO. Sério, jamais esperei que algo tão natural pudesse sair dessa menina, que muito provavelmente em um futuro próximo será diretora e mestre da Academia de Artes Cênicas de Cigano Higor. Também achei a apresentação do pai de Kira forçadíssima, mas gostei que ele é um avulso e que não tem nada a ver com a Dyad, os Proletheans ou qualquer outra coisa (assim espero). Porém, contudo, todavia, eles poderiam ter aproveitado para mostrar a HBO que existe em Órfã Preta e expandido aquela cena de sexo que há tempos não víamos na série - e pensar que a última coisa minimamente sensual que vimos foi Helena dançando com o rabo na mão.

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  7. Muito boa a crocancia de mais um podcast pra escutar na estrada. To admirando a coragem e paciencia d vcs p assistirem tanta merda( esse tema persiste).

    Do mesmo jeito que Camis, eu nao gosto do tema bruxas e depois da terceira temporada de AHS, eu nem me arrisquei a ver Salem. Me lembro que em algum podcast Camis falou que nao se fazem mais series sem bruxas,vampiros e aliens. Axo q por isso to evitando muita coisa que passe perto disso. Exceçao foi Penny Dreadful. Nao achei ruim soh nao entendi como a serie pretende evoluir. E Eva green conheci mais pela zuada do que pela atuaçao. Enfim vou ver o segundo p ter uma decisao.

    Pensei estar ouvindo o podcast errado por ter um bloco todo de elogios e por Camis elogiar GOT. Mas essa temporada de Got realmente esta bem melhor que a ultima. Ainda sim nao consigo entender esse povo fanatico por GOT, a serie eh boa mas coca cola eh melhor.e aih?

    Mais SACasts plis e xero no cu!

    PS1: Erica tambem irei maratonar Hannibal soh pelo burburinho. No proximo podcast eu digo se vale mesmo ou nao.

    PS2: Adorei o SA Maratona de TGP 2.Na epoca nao conhecia o seriadores entao devo ter perdido muitas sambadas mas lia as reviews de Camis pro seriemaniacos e me acabava de rir com os nomes. (Japassiva foi o auge)

    PS3: Juro q tem horas q vcs nomeiam personagens nas series que pra quem eh recente aqui deve ficar flyando demais. Merda foi uma que demorei seculos p ligar o nome a pessoa

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  8. Olá, amigos do S.A.!

    SPOILER (se é que alguém está assistindo ISTO para considerar spoiler)

    Primeiro tenho que cumprir minha promessa de informar se em decorrência da presença brasileira na nave de The 100 rolaria ou não especial de carnaval! Então... assim... canavaaaaaaaaaaaaaal carnaval, não rolou, mas rolou baile de máscaras, o que, convenhamos, para quem está preso no espaço, qualquer baile de máscara já é um Sambódromo da Marquês de Sapucaí! Então é isso, o Brasil se fez presente, não só no jogo de futebol (que sim, já rolou a Copa do Mundo no The 100 – afinal, eles estão no futuro (!!) - ), mas também no bom e velho suingue e gingado, com direito a gente sendo presa e tudo mais, beeem brazuca mesmo!

    Mas vão lá ver... afinal, onde mais vocês veriam pessoas que caíram do céu em um lugar inóspito, onde terão que sobreviver a fumaças misteriosas e animais inexplicáveis, cercado por “outros” que os ameaçam, mas que tudo fica melhor quando acham uma escotilha no chão com suprimentos, e um carro velho com bebidas, e que o episódio acaba com um “buuuum”... em nenhum outro lugar vcs achariam esse tipo de enredo!

    FIM DO SPOILER (se é que alguém continua assistindo AQUILO para considerar spoiler)

    Parabéns pelo sucesso do Karaocast, não participei mas já me diverti muito com os comentários e postagens!

    Continuo achando Game of Thrones um Game of Sonos (não me joguem pedra!), mas realmente gostei um pouco mais do ep. 5, claro, a temporada já ruma para a segunda metade, a tendência é dos acontecimentos tomarem um ritmo mais acelerado.

    Achei a volta de Orphan Black meio devagar... concordo que falta a dose “pegação” que imperou no começo da primeira, mas acredito que eles seguirão a linha de irem do micro pro macro e terminarão a temporada alucinadamente! Que venham todas as mil clones! Agora estou curioso para saber o porque da experiência de clonagem, quero saber se foi só uma loucura científica ou se teve um motivo maior, vocês suspeitam de algo?

    Não vi nenhuma das tranqueiras que estrearam, e acho que fiz bem, aparentemente.

    Abraço a todos!

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