American Horror Story: Freak Show 4x10: Orphans

segunda-feira, dezembro 22, 2014


"The death of a monster is always a sorrow, but never a surprise. A carny's life burns brighter and larger than most. It is bound to extinguish sooner."

Haters gonna hate, mas estou para dizer que Orphans foi um dos episódios mais maravilhosos dessa temporada e grande parte disso se deve ao brilhante trabalho de Naomi Grossman e da direção. Entendo que muitos estão odiando Freak Show pelo excesso de drama explorado e por achar que o horror tão característico da série foi abandonado. O problema é que essas pessoas podem não perceber que o horror de um tema como aberrações reside no próprio tema em si e nas consequências de se fugir do padrão, mesmo que por obra do acaso, numa época em que ser diferente é tão discriminado. E por isso o episódio contou com um excesso dramático e referências, para sublinhar uma realidade horrível.

Claro, nós amamos ver freiras possuídas pelo demônio estuprando padres, Connie Britton dando para um fantasma vestido de látex e comendo cérebros, Bloody Face arrancando a pele de mulheres para construir abajures e outras bizarrices com as quais AHS nos presenteou ao longo do tempo, mas aqui temos um tema bastante perturbador por si só, sem precisar de apêndices bizarros para a construção do horror. A maior arma de AHS é a sinestesia, nos fazendo sentir aquilo que vemos, seja horror, nojo, empatia ou qualquer outro sentimento que seus episódios proporcionam. Se já é desolador imaginar o sofrimento de alguém, é ainda mais quando acontece com um personagem ao qual amamos. Por isso, mesmo sabendo o destino de Pepper, vê-la chegar até lá causa uma enorme tristeza. Isso acontece com qualquer freak, mas Pepper é a que tem mais potencial de nos causar dor pelo carisma da personagem que aprendemos a amar dois anos atrás.

Naomi Grossman estava extraordinária em sua interpretação e aplaudi durante todo seu tempo em tela. Ela vinha segurando seu talento para seu grande momento, e então tivemos um boom de emoções que preencheu cada cantinho do meu coração, elevando ao extremo meu amor por Pepper e ownando o episódio. Eu conseguiria ver todos os 50 minutos só dela. É interessante ver sua história trombar com a de Elsa, sendo Pepper a primeira “filha” recrutada para o circo, e o laço imediato criado entre as duas. Esse mesmo laço torna difícil ver Elsa deixando Pepper com a irmã, mas graças a ele também é fácil acreditar na boa intenção de Elsa, imaginando que estaria livrando Pepper do sofrimento após sua saída. Ah, se ela soubesse…

Aprendemos mais sobre as relações de Pepper com Salty e Ma Petite, o que contribui muito para a construção sentimental da personagem e nos permite compreender melhor sua dor. Com três caixas de Dr Pepper, que obviamente é um refrigerante muito delicioso, Elsa compra Ma Petite e esta passa a ser então uma filha para Pepper. Notamos aqui como freaks poderiam facilmente ser usados como mercadoria na época, assim como os cadáveres vendidos por Stanley. Logo depois chega Salty e Pepper ganha um marido, agora como uma família para chamar de sua. Fica claro agora como perder os dois a levou de volta à solidão.

Já sabíamos o destino de Pepper depois que retornasse para a irmã, mas aqui vimos detalhes de como tudo aconteceu. Ela foi vítima da podridão da mente da irmã e seu marido e então é deixada onde Asylum começou. A ligação entre as temporadas é sutil, esperta e despretensiosa. Se alguém esperava algo mind-blowing, pode ter se decepcionado, mas vale lembrar que isso nunca nos foi prometido. Não tivemos nada mais que uma participação de Lily Rabe como a adorável Sister Mary Eunice, também sem pretensões, apenas mostrando a inocência antes da mácula, antes de morder a maçã, para ilustrar aquilo que foi perdido com a possessão. Foi tudo muito bem feito, com sutileza e beleza impecáveis. O resto nós já sabemos.

Num episódio sem Dandy (infelizmente), o vilanismo fica por conta de Stanley, que, apesar de ser um substituto muito aquém, pode lá ter seus momentos. Arrancar cabeças é a nova onda do cara e Salty não escapa dessa, tendo sua cabeça vendida para o museu mórbido assim como o corpo de Ma Petite e as possíveis mãos de Jimmy. Stanley é argumentista e manipulador e não me surpreenderia se ele tivesse conseguido mesmo negociar a liberdade de Jimmy pelas suas mãos. Stanley até mesmo faz referência a Clarence Darrow, o brilhante advogado que trabalhou em casos como o famoso Julgamento do Macaco.

Em 1925, no Tennesee, o professor John Thomas Scopes foi acusado de violar a lei que proibia o ensino do evolucionismo em escolas públicas por esta teoria contrariar a visão bíblica da origem do homem. Darrow trabalhou no caso e, graças ao seu talento em argumentação, Scopes, que havia sido condenado, teve seu veredito revisto e conseguiu sair livre. O caso é retratado no filme Inherit the Wind. Como isso se encaixa em AHS? Bom, a referência é no mínimo interessante, sendo ambas as histórias marcadas pela repreensão de ser e/ou pensar diferentemente do que era estabelecido como verdadeiro e aceito numa época complicada para ser diferente.

P.S.: AHS volta no dia 7de janeiro.

P.S.: O que dizer sobre aquele spoiler de que Elsa conseguiria sua tão sonhada ascensão na TV?

P.S.: O lindo do Neil Patrick Harris estará no próximo episódio. Yay!

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