Mad Men 7x13: The Milk and Honey Route

domingo, maio 17, 2015



A melhor cena do penúltimo episódio de Mad Men é de Betty. Essas eram palavras que não esperava escrever quando o fim da série se aproximasse, já que a personagem teve sua importância na trama reduzida ao longo dos anos e na maioria do tempo ela sempre fez o papel da esposa, e apenas isso. Sua situação como uma figura que sempre está no segundo plano na vida dos outros, jamais tendo uma vida para si, é essencial para apreciar o arco dramático da personagem, e a cena onde ela recebe a notícia de que está com câncer e vai morrer é o melhor exemplo disso.

Dizer que “ela recebe a notícia” não é uma descrição precisa do que acontece já que, apesar dela ouvir as palavras do médico e ver o resultado do exame, ele fala apenas com Henry. Claro, aquilo é um exemplo do machismo daquele tempo, mas também é uma demonstração da falta de agência de Betty, que sempre deixa para outros a decisão sobre o que acontecerá na sua vida. A melancolia por ser uma figura decorativa sempre esteve presente na história dela, mas agora ganha contornos trágicos, pois ela decide tomar o controle da sua vida apenas quando seu fim é iminente.

A história de Pete, entre as três vistas nesse episódio, é a menos interessante. Ela tem a aparência de um encerramento – assim como a de Betty –, mas não há grandes surpresas. Desde a última vez em que ele e Trudy foram mostrados juntos, era clara a possibilidade de uma reconciliação. Voltar a ser um casal é o caminho mais cômodo para ambos, é mais fácil, e essa facilidade é provavelmente o mais próximo de um final feliz que qualquer personagem de Mad Men vai conseguir.

Don continua a deixar sua vida para trás. Há sinais visuais disso, como ao abandonar o terno e viver apenas com as roupas que estão dentro de um saco, e emocionais. O primeiro deles ocorre quando ele finalmente conta a outras pessoas sobre a sua experiência na guerra. Além de mostrar a catarse de Don ao finalmente ser capaz de revelar um pouco do seu passado a estranhos, é interessante ver o roteiro brincar com a expectativa do público. Quando um encontro de veteranos de guerra é mencionado, logo pensamos que a mentira dele pode ser descoberta. Durante o evento, quando outro combatente da guerra da Coreia aparece, esse temor retorna, mas jamais se concretiza. Por vezes parece que Mad Men dará uma solução fácil para o fim do seu protagonista, apenas para seguir por outro caminho.

O faxineiro do hotel vê um outro lado de Don, que surge de um recém-descoberto conforto em manter um pouco de honestidade sobre quem ele é. Os conselhos que ele oferece ao garoto são paternais, vindos de alguém viveu cercado por mentiras por décadas e que não deseja ver outra pessoa seguindo essa mesma direção. A ele, Don entrega sua última característica visual marcante, seu carro, ficando isolado em meio ao nada.

Ele não se importa com coisas sem significado, deixando o trabalho para trás e entregando seu carro sem pensar duas vezes, mas não esquece da filha com quem faz questão de manter contato mesmo quando decide fugir de tudo. Naquele vazio que deixa incerto o seu destino no series finale, ele encontrou algum equilíbrio entre as mentiras dais quais ele se cercou e a verdade escondida por anos.



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