The Good Wife 3x16: After The Fall

segunda-feira, março 05, 2012


The Good Wife sempre lidou com temas e tramas complexas, mas nunca em sua história conseguiu juntar tantas narrativas isoladas em um único emaranhado de acontecimentos que apontam para um sombrio e atribulado futuro.
Falar sobre o décimo-sexto episódio dessa temporada é um exercício de paciência. Jamais por ele ser ruim, mas para que seja possível entender e analisar o complexo entrelaçar de tramas proposto em After The Fall.

Tudo começa pelo vácuo de poder deixado por Will. Quando os urubus — Eli, Julius e David Lee — começam desejar ter seu nome escrito ao lado do de Diane na empresa, inicia-se ai uma briga com o potencial de ser o centro das atenções até o fim da temporada. Acho difícil enxergar Eli como um real candidato a posição de Will, já que essa repentina ambição deriva muito mais de uma briga infantil com David Lee do que um real desejo de transformar a Lockhart & Gardner em Lockhart & Gold.

A situação de Julius e David é bem diferente. Ao contrário de Eli, eles realmente são ambiciosos e almejam a posição que pertencia a Will. A disputa entre os dois é interessante, pois suas personalidades são completamente distintas. Exemplificando bem o modo de agir de cada um, a cena em que eles vão até Diane para informar que desejam se tornar sócios é uma boa idéia dos roteiristas. Julius é direto, apresenta argumentos, números, razões sólidas que sustentam sua ambição. David, embora também seja competente e pudesse facilmente defender sua posição, inventa uma elaborada história, tentando convencer Diane de que ele na verdade estaria a ajudando. É fácil imaginar o primeiro buscando acordos que, mesmo que ele deseje os manter em segredo, não possuem nenhuma grande complexidade como um plano, enquanto o segundo elaborará os mais variados e complexos esquemas para conseguir o que deseja.

A candidatura de Peter, a primeira vista distante de toda a disputa pelo poder na Lockhart & Gardner, pode ter grandes repercussões nessa trama. Eli só se envolveu na briga pela sociedade por dois motivos: impedir que David se torne sócio e por que não via futuro na candidatura de Peter por que ele se recusava a oferecer emprego a aliados. Ao fim do episódio, a segunda razão não mais existe, deixando Eli muito mais como um aliado de Julius do que como um real candidato a sociedade.

Mas a corrida pelo governo do estado não é apenas uma trama periférica, ela tem uma vida própria. As decisões tomadas por Peter prometem o colocar em conflito com Cary, que conectou facilmente os pontos percebendo que a contratação do novo advogado é um movimento político de seu chefe. Embora relute em tomar essa difícil decisão, já que agora deseja que seu mandato seja diferente do anterior, Peter se encontra numa posição em que não pode ser dar ao luxo de ser idealista, lutar contra o sistema. Já Cary, um personagem que evoluiu muito em relação aquele advogado que faria qualquer coisa para se mostrar competente para os chefes, se revela extremamente incomodado com a falta de ética que percebe na decisão do chefe.

No passado já ficou estabelecido que Cary não tem a menor intenção de ficar calado diante de uma situação que considere errada. Quando ele percebeu os abusos de Wendy Scott-Carr no depoimento de Alicia, ele tentou a impedir de continuar o absurdo. Embora não tenha abandonado o depoimento, foi o bastante para ressaltar o desconforto dele com atitudes antiéticas, mesmo que venham de um superior. A pergunta que fica é: será que dessa vez ele fará alguma coisa, agirá contra Peter?

Para terminar, o caso da semana aborda um tema interessante — o quão valido é explorar uma tragédia em uma obra de arte —, estabelece uma divertida dinâmica no tribunal — com Alicia percebendo que o juiz estava totalmente dominado pelo jeito inocente de Crozier, a advogada opositora, ela usa Catlin para fazer exatamente a mesma coisa — e também se conecta com aquilo que acontece a sua volta.

David Lee diz para a sobrinha que vai precisar da ajuda dela e agora ela foi promovida. De certa forma isso é culpa da excelente idéia de Alicia, que acaba se virando contra ela. Quando ela da à chance para que Catlin se destaque no tribunal, chamando a atenção de Diane, a promoção inevitável da recém contratada advogada é acelerada, fazendo com que Alicia volte praticamente à situação em que ela se via com Cary anos atrás, se sentindo ameaçada por alguém que quer seu emprego. A cena em que a protagonista recebe a noticia de que novamente terá de dividir sua assistente com outro advogado é maneira sutil e inteligente dos roteiristas da série dizer que a sobrinha de David é uma ameaça para ela assim como foi Cary. É irônico que o jeito inocente de Catlin, que Alicia viu como uma arma a ser utilizada no tribunal, pode agora se virar contra ela.

Muitas peças se moveram, a situação foi armada e as expectativas para os episódios rumo ao fim da temporada nunca estiveram tão altas.

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1 comentários

  1. onde eu acho o dowload do RBMV legendado to procurando desde semana passada e não acho

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