Glee 4x10: Glee, Actually

sábado, dezembro 15, 2012


O dia em que os roteiristas de Glee realizaram seu maior sonho: matar Quinn Fabray.

Taí o que cê perdeu no Gli:








Senti que uma recapitulação se fazia necessária para esse especial de natal em que, surpreendentemente, continuidade é tudo. O estilo de roteiro em que cada ato desenvolve histórias diferentes que se cruzam no final já é conhecido dos velhos fãs de comédias românticas ou, como dizem por aí, filmes de "cabeçada". Glee não faz questão nenhuma de esconder as diversas homenagens e inclusive escancara a piada, abrindo o episódio com mais uma das conversas sempre esclarecedoras entre Sue e seu diário.


A primeira história, no entanto, tem pouco a ver com o filme que deu título ao episódio e tudo a ver com It's a Wonderful Life (A Felicidade não se Compra), clássico de 1946 que conta a história de um amargo homem de negócios que vislumbra como seria a vida das outras pessoas caso ele não tivesse existido. No caso de Artie, é o acidente que o colocou na cadeira de rodas que nunca aconteceu e, aparentemente, esse detalhe impediria o surgimento do Glee club e o desenvolvimento de todos os personagens como os conhecemos.

É bizarro pensar em Artie como "a cola que une todo mundo", como Rory (seja bem-vindo de volta, menino Damião!) explica no papel de anjo que explica as diferenças nessa nova realidade. Como está tudo no subconsciente do próprio Artie, no entanto, fica fácil embarcar na viagem e aproveitar as loucuras que a sequência apresenta. Sem contar na valorização que isso traz para o personagem, o que nunca é demais. Kevin McHale é um dos artistas mais completos no elenco, atua, canta, dança e sapateia como poucos e, seja por receber pouca atenção dos roteiristas, seja porque a própria cadeira de rodas limita suas possibilidades de mostrar passos de dança, por exemplo, às vezes seu talento não fica tão óbvio. São histórias como essa que permitem que vejamos toda a versatilidade (!) do rapaz.

Sem as intervenções do Artie que conhecemos, já que ele se tornou um grande atleta do time de futebol e não teve tempo para formar amizades e/ou aconselhar as pessoas, Tina continua gaguejando; Rachel se tornou uma bibliotecária que se conforma com um papel pequeno numa produção comunitária de The Music Man; Kurt repetiu o ano por não aguentar o bullying no colégio, praticado pelos também repetentes Finn, Puck e Mike, acompanhados de Sam, Ryder e Jake; Becky se tornou a grande vadia da escola; profª Schue virou alcoólatra e ainda tem que aguentar os surtos histéricos de Terri; Emma continua casada com o sensual Ken Tanaka; e por último, mas não menos importante, Blaine nunca pisou os pés no McKinley. Acho que isso mostra que pra cada transformação negativa, existe sempre uma muito positiva pra compensar!



Não podemos esquecer, é claro, da bomba da morte de Quinn, o verdadeiro milagre de natal dos roteiristas. Sempre brinco sobre o sadismo da gangue de Ryan Murphy com a personagem, fazendo-a passar por mais dramas em 3 temporadas do que uma pessoa normal é capaz de aguentar a vida inteira e mesmo assim ser acusada de não saber o que é sofrer. Nessa realidade, Quinn não só jamais se recuperou do acidente como foi estuprada por uma horda de macacos geneticamente modificados, teve metade de seu cérebro vendido para pesquisas genéticas, foi a primeira e única acometida pela raríssima síndrome de auto-combustão das axilas e, depois de muitas outras barras, morreu de um "coração partido". Nem tudo isso estava no roteiro, mas obviamente estava nos planos dos roteiristas e tiveram que cortar a narração completa de Rory por problemas de tempo.


Elogios se fazem necessários para as interações entre Artie e Finn no "mundo real". Muito se fala sobre o quanto Finn ganha os louvores de grandes líder sem efetivamente fazer muito por merecê-los, mas pelo menos na relação com Artie nessa temporada ele tem mostrado porque tem tanta admiração do amigo. A parte emocional da história, que já estava presente na fantasia em preto e branco, ganha ainda mais força quando Artie admita que precisa (e sempre precisará) de ajuda e que a cadeira de rodas, por mais inconveniente, é parte da trajetória dele e ajudou a definir quem ele é. É clichê, é bonitinho e é Glee.

New York funcionou perfeitamente como segunda história separada do episódio, e pela primeira vez na temporada, não girou em torno de Rachel. Ela estava lá, fazendo piadinhas sobre o cruzeiro gay de fim de ano de Rosie O'Donnell, mas foi a vez de Kurt aproveitar as caminhadas pela cidade pra se destacar um pouco mais. A verdade é que, com Burt em cena, plot nenhum seria ruim, por mais que tentassem, e a relação dos dois, uma das coisas mais bonitas na série desde sempre, continua sendo um ponto alto.

Minha reação foi quase a mesma de Kurt quando o pai dele deu a notícia do câncer de próstata e, por mais que ele tenha amenizado ao falar sobre a detecção em estágios iniciais, é sempre bom ficar de olho, afinal, como Kurt bem ressalta, pessoas com corações de babuínos precisam ficar ainda mais alertas do que as outras. Em todo caso, esperemos mesmo que o tratamento aconteça sem maiores traumas e que tenha servido apenas para que Burt pressione o filho a aproveitar mais as oportunidades.

Impressionante, aliás, como até a relação entre Kurt e Blaine parece digna de salvamento num plot como esses. Os dois já não funcionavam como casal há muito tempo, mas convencem como grandes amigos que estarão na vida um do outro independente do que aconteça, e talvez se seguirem nesse caminho por tempo suficiente pra que a bagagem emocional entre eles pese menos, as coisas até voltem a funcionar no aspecto romântico também.


A parte dos Puckerman é talvez a mais inesperada do episódio e, por isso mesmo, vale cada segundo. É surreal ver dois supostos bad boys expressando desejos de ter uma estrutura familiar saudável e fazendo declarações semi-melosas de amor fraternal. Puck tira de letra, no entanto, mantendo a escrotice natural enquanto leva o irmão para L.A. num sidecar ridículo e mantém a pose de filho da anarquia.


Essa variação entre os momentos ridículos e bonitinhos, aliás, foi a base da história dos dois. Não tem como não rir da performance no meio do complexo da Paramount, atrapalhando filmagens e permitindo que figurantes com todo o tipo de roupa espalhafatosa participasse da celebração de hannukah. O negócio fica um pouco mais sério (mas não muito) quando Puck desabafa que só queria parecer bem-sucedido aos olhos de Jake e, a partir daí, as coisas continuam fluindo bem, com o plano de união das mães no Breadstix.

Inclusive, prevejo muitas reclamações sobre o retorno definitivo de Puck para Ohio, mas acho que isso pode render boas interações futuras. E isso vindo de alguém que, quando a temporada anterior acabou, desejou o sumiço de Puck, Mercedes e Mike pelo maior tempo possível. Acho que, se agora ele tem todo um núcleo familiar e seu trabalho como roteirista (oi?) pode ser feito de qualquer lugar, não custa nada ver o que pode sair daí.


E eis que chegamos ao momento em que as véia bingueira surtam, com um segmento inteirinho dedicado a Brittany e Sam. Preocupada com o fim do mundo iminente, nossa cheerio favorita distribui presentes pra lá de generosos, como um Rolex (o relógio, pervertidos!) para Marley, férias de 3 semanas em Saint-Tropez para Ryder e um Toyota Camry novinho em folha para Tina.

Sam não fica por menos e, numa demonstração numérica que faz todo o sentido, prova por A + B (ou por 1 + 2?) que o mundo está mesmo pela bola 7. A decisão de reunir o New Directions para a primeira e única reunião do clube do apocalipse maia 2012 rende aquela que, provavelmente, é a fala mais verdadeira da história de Glee, sobre ninguém mais, ninguém menos, que nosso querido (só que não) Joe 'Dreads' Hart.


"Algumas pessoas simplesmente não podem encarar o fato de que a Terra é apenas a dorsal de um crocodilo gigante que é destruída e recriada a cada 500 anos", atesta Brittany, que não consegue alertar as pessoas sobre o real perigo do que está por vir. Mas há no McKinley alguém sábio o suficiente para enxergar a sabedoria desse alerta e celebrar o casamento de vestiário dos dois, que teve os votos mais bonitos da história da televisão.




A última história da noite fica reservada, claro, para a nossa narradora, Su Silvestre. Sem conseguir presentear Becky, que rejeita todos os seus suéteres da Benetton, Sue acaba se comovendo com a situação de Millie Rose, a quem tirou no amigo secreto dos funcionários do colégio, e a barra de não ter dinheiro para pagar a terapia de Marley, nessa incessante luta contra os distúrbios alimentares que, faço questão de frisar, não existem e foram tudo pilha de Kitty. Ninguém parece se importar com isso, no entanto, e o consenso geral é de que Marley é anoréxica desde pequenininha.

Incoerências à parte, não dá pra negar o apelo emocional que as cenas da família Rose sempre trazem. Millie cometeu milhões de erros, desde sugerir uma dieta conjunta para a filha magérrima até contribuir para o bullying que a levou ao desmaio na competição, mas fica óbvio o quanto ela se importa com Marley em cenas como a que ela ouve "The First Noel" com lágrimas nos olhos. Isso também é suficiente para amolecer o coração troll de Sue, que como não canso de bater na tecla, funciona bem melhor quando age como um ser humano de verdade, ainda que escrotize as pessoas.



Na amarração das histórias, tudo é feito com a coerência incoerente de Glee: Marley conta com a ajuda de Artie (que é a cola do grupo) para homenagear Sue com uma canção no auditório, mesmo que ela tenha acabado com a vida de todos eles no episódio passado; Jake e Puck celebram a união de suas mães (em referência a filmes das gêmeas Olsen, talvez?); Kurt desiste de fingir que está acompanhando os esportes na TV com Burt e Blaine, se rendendo a sua revista Vogue; e Sam e Brittany descobrem que não estavam realmente casados, já que Beiste estava de brinks e até inventa uma nova data para que os dois continuem curtindo a vida adoidados.


No fim, o saldo é mais do que positivo para um episódio que, além de trazer as aleatoriedades já esperadas de um especial de natal, desenvolve algumas histórias da temporada e valoriza personagens que, de forma geral, estavam de lado. Só reclamo mesmo da ausência de "Happy Xmas (War Is Over)", ou como a conhecemos aqui no Brasil, "Então é Natal", na voz de Cory Monteith. Se o episódio já foi bom, imaginem como ficaria com essa preciosidade, em dueto de Finn & Simone?

P.S. Meus agradecimentos ao Luciano Guaraldo, responsável por grande parte da recapitulação e moose, como já diria Finn, das reviews.

Músicas do episódio:

"Feliz Navidad" - Artie (Kevin McHale)
Artie dançando com um poncho numa sala de costura? Artie cantando em espanhol? Artie imitando os passos clássicos de Mike e Sam para lembrá-los do Glee club? Artie usando os dreads de Joe como objeto cênico? Isso não foi só uma performance, mas como diria Ryan Murphy, uma ópera.

"Hanukkah Oh Hanukkah" - Jake (Jacob Artist) e Puch (Mark Salling)
Divertidíssima, seja pelo absurdo da situação ou pelo tanto que os dois pareciam estar se divertindo trollando os sets da Paramount. Destaque para as freirinhas de American Horror Story fazendo figuração.


"White Christmas" - Blaine (Darren Criss) e Kurt (Chris Colfer)
Já declarei que estava de boa vontade com Blaine e Kurt no episódio, então posso admitir também que gosto dos duetos de natal deles. É meio bizarro como os agudos de Kurt sempre mudam completamente o tom da música, que até então estava se sustentando bem nos "badum, badum" de Blaine, mas nem isso estragou a cena no ringue de gelo. E se os figurantes rodopiaram livremente, o mesmo não pode ser dito de Chris e Dadá, que quase caíram com a cara na pista.

"Jingle Bell Rock" - Sam (Chord Overstreet)
Minha música favorita de natal e meu ator favorito de Glee cantando-a e dançando com um bando de cheerios fantasiadas de renas que têm força sobre-humana e o carregam nos braços. Acho que não posso pedir muito mais do que isso!



"The First Noel" - Marley (Melissa Benoist)
Não é à toa que Marley foi descrita no primeiro episódio da temporada pela própria mãe como se tivesse "mágica na garganta" e essa versão curta e a capella da música foi mais do que suficiente pra comprovar isso.


"Have Yourself a Merry Little Christmas" - Marley (Melissa Benoist), Puck (Mark Salling), Jake (Jacob Artist), Sam (Chord Overstreet), Brittany (Heather Morris), Blaine (Darren Criss) e Kurt (Chris Colfer)
É outro clássico de natal, encerrou bem o episódio com o auditório, o Bradstix e o jantar no apartamento de Kurt dividindo as atenções, não tem muito do que reclamar, mas... "Então é Natal" teria sido um fechamento muito mais poderoso, né galera?

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9 comentários

  1. Puck e Jake na Paramount foi a coisa mais avulsa ever, mas ainda assim, divertido!

    Gosto desses momentos de realidades paralelas em Glee, como quando eles trocaram de personalidade. As coisas que mais me fizeram rir foi Becky de vadia do colégio e a ex do Will carregando uma boneca como se fosse filho deles e ele nem percebe de tão bêbado que vive... hahahaha

    Fiquei chocada que mataram Quinn! Depois de todas as desgraças na vida dela, ela morre de coração partido? o_O As outras desgraças que você citou podem não estar no roteiro, mas certamente estão implícitas!

    E menino Damião de volta! Sendo trollado lindamente por Artie, que pede pra ele falar devagar senão ninguém entende! hahaha

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  2. "Blaine nunca pisou os pés no McKinley. Acho que isso mostra que pra cada transformação negativa, existe sempre uma muito positiva pra compensar!" Quase fazia que nem Ryan (The OC) e desistia de voltar pro mundo real pra viver uma realidade alternativa que, no caso dele, existia Marissa e, no meu caso, não existia Blaine. (Impossível não lembrar desse episódio de natal de The OC <3)

    Eu adorei esse episódio, gostei das histórias, de todas, mas curti mais a de Puck e Jake, a performance foi divertida e eu já vi varias vezes (inclusive notei que o Ian Brenan fez outra pontinha na sua série), e houve desenvolvimento dos personagens, fiquei feliz que o Puck ficará por Lima, ele é um dos recorrentes que mais apareciam mesmo...


    E ,sim, senti falta de "Então é natal", o maior clássico natalino de todos os tempos pelo menos pra quem é obrigado a passar o natal na casa do tio mala que só tem o cd da Simone pra tocar nesse dia, mas né, Finn não tem mais solo nessa série, até a Tina vai ter, amigos #barra

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  3. Me dei a permissão de apelidar a rena que carregou Chordzinho de Hennah Montana. Obrigada! kkkkkkkkkkkkk'

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  4. Achei este episódio de Glee mágico! Entrou pra meu ranking de episódios de Natal preferidos!

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  5. Leozio!
    Amei a ideia do dueto de Finnado com Simone! Quem sabe titia não faz ano que vem...

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  6. Fala mais verdadeira da história do Glee??
    Viva o recalque

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  7. tb senti falta da simone, qdo terminou falei não acredito q esqueceram da Simone!! tb gostei mto do plot dos puckermans e gostei q puck vai voltar será q vão falar alguma coisa de Beth????? Além do Ian dá pra reconhecer Zachzinha participando da gravação.

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  8. Gente não notei Zachzinhaa, que absurdo! Vou rever rs

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  9. <3! Muito amor por essa dlç,como não amar esses trollers descarados?
    RI ALTO quando a Brittany pergunta para o Joe "Então qual é a tua nego?" - aplaudi muito esses roteiristas lindos.

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