The Blacklist 1x19: The Pavlovich Brothers

sexta-feira, abril 25, 2014


Avançar e retroceder: esse parece ser o lema de The Blacklist. Em certos momentos a série se desenvolve sem passar a impressão de que há um temor do criador em seguir adiante, aceitando completamente as consequências dos caminhos escolhidos. Se em certo momento, por exemplo, parecia querer sustentar o mistério sobre Tom por muito tempo, logo o rumo foi alterado e as reviravoltas recentes ocorreram.

Seria ótimo se esse ritmo fosse mantido e a parte do retrocesso deixada de lado, mas como é mostrado em The Pavlovich Brothers isso não acontecerá. Apesar dos eventos que alteram o relacionamento entre Tom e Elizabeth acontecerem – ele admitir que ela descobriu sua identidade e tudo que se passa após isso – a conclusão encontrada para os problemas do casal soam pouco criativas.

No lugar de tentar apresentar algo novo, Jon Bokenkamp prefere construir plot twists sobre plot twists, encaixando seus personagens em papéis de heróis e vilões simplistas que seque se aplicam a eles. Ao colocar Tom se apresentando como o herói e apontando Reddington como o real vilão a série se mantém presa a mesma dúvida cansativa sobre quem está falando a verdade. Se antes víamos Reddington alertando sobre Tom, agora vemos o oposto. Seria benéfico se, em lugar de categorizações rasas, a série mostrasse aqueles personagens como pessoas mais complexas que essas ideias preestabelecidas

Esse passo atrás é uma falha em um episódio que em seu resto é bastante eficiente em unir a continuação da história dos protagonistas e o caso da semana – que se conecta ao piloto, o que é sempre algo positivo por ajudar a estabelecer um universo com personagens recorrentes – criando uma situação com conflitos de interesse inesperados – as mesmas pessoas que Keen deve prender acabaram a ajudando.

A cena em que Elizabeth interroga Tom consegue mostrar como aquela personalidade bondosa que ele demonstrava enquanto exercia a função de marido atencioso talvez não esteja tão longe de quem ele realmente é. Sim, ele é um assassino que se passou por marido apaixonado por anos, mas também, mesmo quando descoberto, seu jeito de agir não muda, exibindo até algum sentimento pela esposa de mentira quando não tinha nada a ganhar com isso.

O violento relacionamento que se tornou esse casamento deu origem a melhor sequência de ação da série. Diferente de outros momentos em que perseguições e tiroteios faziam uso de chroma keys horrendos e cortes rapidíssimos que deixavam as sequências confusas, dessa vez as cenas do ataque ao esconderijo de Tom são inesperadamente bem executadas.

Parece que mesmo dentro dos episódios essa dinâmica de um passo à frente dois para trás está presente, o que torna a experiência bastante frustrante.

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