Mad Men 7x07: Waterloo (Mid-season finale)

sábado, maio 31, 2014



O final – momentâneo – feliz de Mad Men não é completo. Há relacionamentos restaurados, um novo cliente e muitas pessoas ganharam muito dinheiro. Por outro lado, a agência foi vendida, Bert morreu e o casamento de Don acabou. Mesmo quando no final o sentimento parece ser de alegria, a realidade agridoce de Mad Men.

As cenas de Sally são os momentos mais fracos desse episódio. A variação nas atitudes dela, saindo da sua rotina que varia entre o blasé e adolescente revoltada, é bem vinda. Mostrá-la mais comportada por estar atraída por um garoto é normal, mas na terceira vez em que ela se mostra influenciada por alguma figura masculina que a cerca, a mensagem soa forçada. Num momento ela se arruma para o filho mais velho da amiga de Betty, repete as opiniões ignorantes do garoto apenas para, literalmente segundos depois, aderir ao pensamento do pai. Um pouco mais adiante ela se mostra mais inclinada ao irmão nerd do fortão burro, fazendo-a parecer a garota mais volúvel do mundo.

Uma das primeiras cenas de Peggy no episódio não a distância muito da realidade pueril de Sally. Assim que ela vê o homem que está consertando seu apartamento, ela é só sorrisos. A cena funcionam como uma lembrança do que é a vida pessoal – quase inexistente – dela, sem qualquer relação exceto pelo filho da vizinha, que logo irá embora. 

A parte boa para Peggy é que tudo esta bem no trabalho novamente. Não há mais resquício da raiva que ela sentia por Don, com ele reassumindo a figura de mentor que ele sempre foi para ela, num momento em que ela começa a se destacar pelo trabalho dela, saindo da sombra dele. A cena em que ela apresenta a ideia para o comercial do Burger Chef é eficiente por apresentar o nervosismo dela, quando se vê incapaz de ouvir o que os outros falam e assistindo o tempo passar em câmera lenta. Após esse primeiro momento, é como se víssemos o período dela de aprendizado terminar, com a reunião transcorrendo da mesma forma que costuma acontecer com Don, com todos na sala fascinados com as palavras dela.

Don também tem sua parcela de acontecimentos bons e ruins. O fim do seu casamento por si só já incorpora as duas perspectivas. Por um lado, ele ama de fato Megan, mas o relacionamento dos dois há muito já estava em um caminho sem volta, implodindo aos poucos. As traições dele, a distância, a paranoia dela: elementos que já indicavam uma relação prestes a acabar, e que se mantinha artificialmente, no piloto automático – a tal ponto que segundos antes de terminarem, os dois estão combinando se vão ao cinema juntos –, e tudo que era necessário eram as palavras de um deles dizendo que não havia mais futuro naquele matrimônio. 

É no escritório que a vida de Don se mostra mais emocionante, entretanto. Os planos e reviravoltas vistos nesse episódio são a confluência de várias tramas e temas, alguns que já vem sendo mostrados há anos na série. A degradação emocional de Ted era mencionada levemente em outros episódios, aqui toma forma em desejos quase suicidas que criam um senso de perigo inesperado no momento em que ele se torna uma peça essencial para a venda da SC&P. A morte de Cooper enquanto ele assiste ao pouso na Lua pode ser visto como o antigo indo embora – Bert era o sócio mais velho – enquanto o novo – o avanço tecnológico representado pelo evento – assume seu lugar.

A ideia da mudança pela passagem do tempo foi uma constante até aqui em Mad Men, e se fez ainda mais presente nessa primeira metade da temporada. No passado – no fim da segunda temporada, e na terceira – Don foi capaz de afastar a mesma mentalidade puramente administrativa e que antagonizava sua personalidade – e função dentro da empresa – criativa. A visão de negócios de Duck Philips no passado, ou a venda para a McCann logo na temporada seguinte são percebidas como o vilão por que vemos a história pelo lado de Don, mas é impossível manter esse pensamento.
Apesar de todos as manobras de Jim para tomar o controle da agência, isso não é necessariamente algo ruim. Don realmente era uma fonte aparentemente infindável de prejuízos e a empresa até pouco tempo atrás mal gerava lucros. É cada vez mais difícil que Don e Roger consigam manter essa filosofia por muito tempo, o que deve ser o principal problema da próxima metade da temporada.

Pareceu um final feliz. Em alguns aspectos, foi. A pequena jornada redentora de Don se concluiu com ele se tornando alguém mais equilibrado, mas ainda existem muitos problemas a serem resolvidos sob a aparência de felicidade existente no fim de Waterloo.


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