Person Of Interest 4x01: Panopticon

sexta-feira, setembro 26, 2014

Há um momento em Panopticon em que Root e Finch se encontram. Na conversa entre os dois ela diz que “Toda vida é importante”, uma frase que a primeira vista não tem nenhum significado escondido. Ao longo do episódio, entretanto, é possível ver que essa sentença é uma síntese dos planos da Máquina e um comentário sobre como Jonathan Nolan e Greg Plageman organizam a série.

Desde a temporada passada, a separação entre caso da semana e as tramas continuas era cada vez menor. Tramas aparentemente isolados revelavam alguma, mesmo que pequena, conexão com o duelo entre Máquina e o Samaritano. As escolhas feitas nessa estreia reforçam essa ideia, deixando claro que não há tempo para o vigilantismo do passado, tudo que pode ser feito agora é construir um plano para que o poderoso inimigo que Finch e companhia tem seja derrotado.

Apesar da mudança nos rumos da história – os heróis agora tem um adversário mais poderoso –, a estrutura contínua a mesma, para o bem e para o mal. É interessante ver como as novas circunstancias são encaixadas num formato familiar. Assim, mesmo que exista uma vítima a ser salva, isso não é feito a troco de nada já que a Máquina enxerga a importância do sistema de comunicação criado por Ali. Não seria impensável que Finch concebesse tal sistema, mas ao seguir por esse caminho os roteiristas evitaram a solução preguiçosa, criando no processo um bom caso da semana.

Ao mesmo tempo, a manutenção desse formato no futuro – algo fortemente sugerido ao longo do episódio - é um pouco frustrante. A ameaça do Samaritano existe, ela dificulta a comunicação e as ações do grupo, mas ao menos nesse começo ela parece apenas um pequeno incomodo. O caminho que Panopticon aponta como provável futuro para início da quarta temporada é um em que a série caminha dois passos para frente e retrocede um. As diferenças existem, mas logo estaremos vendo muitas dinâmicas semelhantes às de anos passados; os elementos já estão presentes: Finch tem uma nova base, a Máquina providenciou um novo meio de comunicação e Root e Shaw, apesar de disfarçadas, não mantém a fachada da vida pacata por muito tempo.

Um ponto de destaque de Panopticon esta na sua agilidade, indo direto para a ação sem se preocupar muito em reestabelecer aqueles personagens em suas novas realidades. Rápidas cenas cumprem essa função – uma delas introduzindo uma nova vilã logo na primeira cena – sem que o episódio se torne quase um novo piloto, onde tudo deve ser calmamente reexplicado. As novas identidades de Finch e Shaw provocam alguns momentos engraçados, assim como as interações dessa com Root. O novo trabalho de Reese é um desperdício de uma oportunidade para mais algumas piadas, já que seria divertido vê-lo em algum trabalho mais inesperado. Apesar disso, ele tem um bom momento na cena onde vemos que ele será o novo parceiro de Fusco e, quando chega na delegacia, hesita por um instante em colocar sua caixa sobre a mesa que era de Carter.

Foi uma boa estreia que, apesar de algumas oportunidades desperdiçadas, consegue preparar o terreno para um futuro promissor.

PS: Concebido pelo filosofo Jeremy Bentham, o Panopticon que intitula esse episódio é um modelo de prisão onde as celas ficam dispostas em um circulo ao redor de uma torre de observação de onde apenas um guarda pode observar todos os prisioneiros. Eles, por sua vez, nunca sabem se estão ou não sendo vigiados em um momento já que é impossível para um guarda ver todas as celas. Mesmo assim, os presos se comportarão como se estivessem sendo observados a todo momento. Abaixo, uma foto de um presídio construído dessa forma e um link para as cartas onde Bentham descreve a sua ideia.


Presidio-modelo2.JPG
"Presidio-modelo2" by Friman - Own work. Licensed under CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons.

Panopticon

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2 comentários

  1. interessante a sua review

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  2. Kramba Hadriel, gostei muito da sua visão sobre o episódio. Muito bom mesmo, parabéns!

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