The Strain 1x11: The Third Rail

quarta-feira, setembro 24, 2014


Após apresentar semanas consecutivas de tédio televisivo, o décimo primeiro episódio de The Strain finalmente tirou a série da letargia. Longe da falta de foco dos seus antecessores, Third Rail lembra que estamos assistindo o começo do fim do mundo, e assim suas tramas conseguem refletir a decadência e o desespero crescentes na cidade a medida que os planos do Mestre avançam.

As aventuras de Zach, que a primeira vista podem soar como uma divagação da trama principal, funcionam para elaborar como aos poucos New York está se tornando caótica. Ao colocar ele, uma criança, para se arriscar nas ruas, o episódio consegue acentuar como tudo está perigoso, lembrando sempre que o maior problema do apocalipse não é a sua causa – os vampiros –, mas as pessoas e o que elas fazem quando em pânico.

Ajuda muito que Zach não seja a típica criança prodígio da ficção, aquelas que normalmente desejamos que morram lentamente da forma mais cruel possível graças a sua chatice intolerável. Ele é mostrado como alguém que é capaz de se preocupar com a mãe desaparecida sem perder a noção dos perigos que o cercam, desejando ajudar sem jamais se tornar uma criança birrenta que se revela cheia de vontades assim que ouve um ‘não’. Ainda que o garoto se mostre inteligente, ele é capaz de ideias estúpidas como sair da loja para comprar cigarro, mas de um ponto de vista infantil, de um garoto que ouviu do pai que deveria proteger a mãe de Nora, é compreensível que ele tente encontrar alguma solução para acalmá-la e isso seja o melhor em que ele conseguiu pensar.

Eph e companhia tem aventuras muito mais interessantes e importantes para o futuro da série. O clima claustrofóbico daqueles tuneis abandonados apenas sugere os momentos ainda mais complicados que viriam pela frente. A cena onde o grupo deve passar por vampiros adormecidos ou se esgueirar por uma passagem minúscula em uma parede são os pontos altos de Third Rail, criando antecipação para o que virá a seguir, como o grupo vai escapar daquela situação.

Se colocar Eph e Setrakian frente a frente com o Mestre já seria um belo clímax para o episódio, as cenas ainda são prolongadas quando o grupo se divide e a ação salta entre Eph desorientado sob a influência da voz de Kelly que invade sua cabeça e Nora e Fet tentando escapar dos vampiros que os cercam. Se antes já havia um clima de terror, ele se mistura com uma ação ágil que muda a cara dos minutos finais do episódio.

A maneira como o Mestre usa a voz de Kelly como uma ferramenta de manipulação e o tempo que ele dedica para torturar Eph, apreciando os momentos antes de finalmente matá-lo, servem para estabelecer a natureza cruel do velho vampiro. Se em outras histórias o discurso do vilão soaria um recurso batido para permitir que o herói fosse salvo, aqui ele serve para mostrar que não há interesse em tornar aquela figura monstruosa em um personagem com nuances: o Mestre é uma encarnação do mal, que sente prazer em cada oportunidade de causar sofrimento aproveitada. Ele poderia matar todos ali sem problemas já que é clara sua superioridade física, mas escolhe torturar e manipular.

O único ponto fraco do episódio é o mesmo que persiste desde Night Zero: os diálogos. As vezes eles são absurdos, como quando Fet descreve como seria imprudente invadir o ninho dos vampiros sem saber se as bombas de UV funcionariam, apenas para ouvir de Setrakian que sorte e imprudência são seus métodos. Por que então alguém seguiria um homem que alega estar vivo graças a improvisação e sorte? 

Em outro momento, quando os personagens entram nos tuneis e vemos os pertences deixados para trás pelos recém-transformados, Nora tem que expressar verbalmente o que a cena já deixa claro, e ainda o faz da forma mais pedestre possível ao dizer que aqueles objetos “são tudo que define aquelas pessoas”. O dialogo que se segue é de revirar os olhos.

Apesar desse problema, é bom ver que a série reencontrou seu caminho.

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